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Mirelle Pinheiro

Rifa Sombria: vídeos de estupro de crianças são sorteados na web

O principal autor do esquema já havia sido preso em janeiro deste ano. Ele é apontado como responsável por filmar os abusos

27/10/2025 08:32, atualizado 27/10/2025 12:39
Reprodução
Rifa Sombria: vídeos de estupro de crianças são sorteados na web

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, nesta segunda-feira (27/10), a Operação Rifa Sombria, com o objetivo de identificar e responsabilizar pessoas que compravam vídeos de abuso sexual infantil comercializados na internet sob o disfarce de rifas online.

A ação, conduzida pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), cumpre mandados de busca e apreensão na capital, na Baixada Fluminense e em municípios do interior do estado.

Até o momento, um homem foi preso em flagrante com conteúdo ilícito armazenado no celular, e quatro suspeitos foram conduzidos à delegacia para prestar depoimento.

Rifas de horror

De acordo com as investigações, o principal autor do esquema já havia sido preso em janeiro deste ano. Ele é apontado como responsável por filmar os abusos cometidos contra uma menina de 13 anos e vender o material por meio de sorteios virtuais, uma espécie de rifa em plataformas digitais.

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O material apreendido durante a primeira prisão passou por análise técnica e cruzamento de dados, permitindo à equipe de inteligência da DCAV identificar os compradores e financiadores desse conteúdo criminoso.

Segundo os investigadores, os participantes do grupo realizavam pagamentos online para obter acesso aos vídeos, disfarçados em sorteios de prêmios e links ocultos nas redes sociais e aplicativos de mensagem.

Alvo: quem financia o crime

A operação desta segunda-feira tem como foco o outro lado da cadeia de exploração infantil, os consumidores. Para o delegado Cristiano do Vale Maia, titular da DCAV, a responsabilização de quem financia o crime é essencial para interromper o ciclo de violência sexual.

“O combate aos abusadores precisa atingir também quem sustenta esse mercado. Quem compra, participa. Quem paga também violenta”, afirmou o delegado.

A polícia destacou que investigações de pedofilia e compartilhamento de material de abuso costumam desdobrar-se em redes interestaduais, e que novas fases da operação não estão descartadas.

Avanço digital e rastreamento

Com base em dados obtidos por mandados judiciais, a DCAV identificou transações financeiras, conversas em aplicativos e metadados de arquivos que ajudaram a mapear os compradores.

O trabalho envolveu análise forense digital e inteligência cibernética, conduzida em parceria com peritos especializados.

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