
Mirelle PinheiroColunas

Rede que criou anúncios falsos de GP ameaçava vítimas: “Vou te matar”
Criminosos diziam que vítima havia contratado menor de idade e usavam acusação para exigir dinheiro
atualizado
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Áudios obtidos pela coluna revelam detalhes do modus operandi do grupo criminoso suspeito de extorquir vítimas após criar anúncios falsos de garotas de programa em sites na web. Nas gravações, os suspeitos afirmam ter ligação com facções criminosas e milícia, além de dizer que a suposta acompanhante seria menor de idade, pressionando os alvos a fazer pagamentos para evitar “problemas”.
O material foi identificado durante a investigação que levou à Operação Atração Perigosa, deflagrada pela Polícia Civil para desarticular um esquema de extorsão virtual.
De acordo com os investigadores, as mensagens de voz foram enviadas diretamente às vítimas após o primeiro contato com os anúncios falsos.
Em um dos áudios, um dos suspeitos afirma que a garota seria ligada ao crime organizado e tenta intimidar a vítima:
“Mano, é o seguinte, a garota é agenciada pelo comando, entendeu? E tem milícia no meio, entendeu, mano? Inclusive a garota que você está contratando é de menor também, entendeu, mano?”, questiona.
Em outra gravação, o grupo cobra uma suposta “taxa de cancelamento” e afirma já ter dados pessoais da vítima.
“A taxa de cancelar é no valor de R$ 500, mano. Você tá no prazo até amanhã. Já tem mais acesso aos seus dados, inclusive endereço de você e familiares seus também, entendeu, mano?”, intimida.
Os criminosos também utilizavam a acusação de contratação de menor de idade como forma de pressionar os alvos a pagar.
“Deixa eu te falar, mano, é o seguinte: a garota é de menor, entendeu? Se você chamar a polícia, vai dar um problema maior pra você.”
Em outra gravação, o tom se torna ainda mais intimidatório:
“Tá de brincadeira? É o Comando aqui, entendeu, mano? Tá falando com você nesse momento aí.”
Segundo a polícia, após o primeiro contato e, em alguns casos, depois de as vítimas enviarem valores iniciais começava uma sequência de ameaças. Os suspeitos enviavam mensagens, áudios e até vídeos exibindo armas de fogo para aumentar o medo e forçar novos pagamentos.
As transferências eram feitas via Pix para contas bancárias de terceiros, usadas como “contas de passagem”. De acordo com os investigadores, essas contas eram alugadas por cerca de R$ 100, o que permitia movimentar o dinheiro e dificultar o rastreamento.
A investigação também apontou que o grupo utilizava dados falsos, vários números de telefone e ferramentas digitais para dificultar a identificação dos envolvidos, o que evidencia o nível de organização do esquema.
Operação Atração Perigosa
A 14ª Delegacia de Polícia deflagrou a Operação Atração Perigosa, voltada ao combate de um esquema criminoso de extorsão virtual que utilizava anúncios falsos de garotas de programa para atrair vítimas.
A ação resultou no cumprimento de quatro mandados judiciais, sendo três de busca e apreensão e um de prisão, todos executados na cidade de Montes Claros (MG), entre os dias 26 e 30 de março.
A Polícia Civil destacou o caráter educativo e preventivo da operação e alertou a população para que não ceda a esse tipo de chantagem e, principalmente, não empreste ou venda contas bancárias a terceiros, prática que pode configurar participação em crimes como extorsão e associação criminosa.
A orientação das autoridades é que, ao se deparar com qualquer tentativa de extorsão, a vítima procure imediatamente a polícia, evite realizar pagamentos e preserve provas, como mensagens, áudios e comprovantes de transferências.


