Mirelle Pinheiro

Raspadinha do Crime: saiba como o CV lavava milhões em 30 cidades

O CV operava em mais de 30 cidades do estado e movimentou, em apenas seis meses, mais de R$ 3 milhões

atualizado

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Raspadinha do Crime: saiba como o CV lavava milhões em 30 cidades
1 de 1 Raspadinha do Crime: saiba como o CV lavava milhões em 30 cidades - Foto: PCMT/Divulgação

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (14/10), a Operação Raspadinha do Crime, que investiga o funcionamento de um esquema milionário de exploração de jogos de azar usado para lavar dinheiro e financiar o Comando Vermelho (CV). O grupo operava em mais de 30 cidades do estado e movimentou, em apenas seis meses, mais de R$ 3 milhões.

As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), contaram com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco).

No total, foram cumpridos 111 mandados judiciais, incluindo 21 prisões preventivas e 54 buscas e apreensões. Também foram determinados bloqueios de contas bancárias, quebras de sigilo e sequestros de valores que somam mais de R$ 1,1 milhão.

Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara Criminal de Sinop, sob responsabilidade do juiz Anderson Clayton Dias Batista, e cumpridos simultaneamente em municípios como Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Rondonópolis, Juína, Tangará da Serra, Nova Mutum, Alta Floresta e Colniza, entre outros.

A investigação teve início após uma operação deflagrada em maio deste ano, quando policiais encontraram bilhetes de raspadinha e materiais de propaganda durante buscas em endereços ligados à facção.

A análise do material revelou a existência de uma estrutura empresarial usada como fachada para dissimular a origem do dinheiro obtido por meio de tráfico, extorsões e outros crimes.

Os investigadores descobriram que a organização criminosa funcionava com três níveis operacionais, semelhante a uma empresa formal.

No topo, um núcleo estratégico, sediado em Cuiabá, coordenava as ações financeiras e definia metas. Um núcleo intermediário gerenciava contas bancárias de fachada, distribuindo recursos e controlando o fluxo de dinheiro entre as cidades. Já o núcleo local era responsável por vender os bilhetes, recolher o dinheiro e repassar os valores aos superiores.

Com o esquema, a facção criou uma nova fonte de arrecadação paralela ao tráfico e à extorsão, diversificando a forma de captação de recursos e reduzindo a exposição das lideranças.

O delegado Antenor Pimentel, responsável pelo caso, classificou o esquema como uma das operações financeiras mais elaboradas já descobertas em Mato Grosso.

“A operação representou um golpe direto no braço econômico da facção, desmantelando uma rede que unia tecnologia, manipulação social e engenharia financeira. Transformaram a aparência de legalidade em instrumento de lavagem de dinheiro”, afirmou.

Durante as buscas, centenas de raspadinhas falsas e banners promocionais foram apreendidos. O material será descartado após perícia.

A Operação Raspadinha do Crime integra o programa Tolerância Zero, do Governo de Mato Grosso, e faz parte da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim).

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