
Mirelle PinheiroColunas

Quem era o policial que morreu um ano após levar tiro de fuzil na cabeça
Copiloto do helicóptero da PCERJ, Felipe foi baleado em março de 2025 enquanto sobrevoava a Vila Aliança
atualizado
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O policial civil Felipe Marques Monteiro, morto neste domingo (17/5), virou símbolo de resistência dentro das forças de segurança do Rio de Janeiro após sobreviver por mais de um ano a um tiro de fuzil na cabeça durante uma operação aérea da Polícia Civil.
Copiloto do helicóptero da corporação, Felipe foi baleado em março de 2025 enquanto sobrevoava a Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio, durante uma ação contra uma quadrilha especializada em roubos de vans.
O disparo atravessou a região da testa e perfurou o crânio do policial.
Mesmo em estado gravíssimo, Felipe sobreviveu ao ataque e iniciou uma longa batalha marcada por cirurgias complexas, meses em coma, internações sucessivas e um intenso processo de reabilitação.
Integrante do Serviço Aeropolicial da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), Felipe atuava diretamente em operações de alto risco da Polícia Civil fluminense.
Colegas descreviam o policial como experiente, disciplinado e apaixonado pela aviação policial.
O ataque aconteceu em 20 de março de 2025, durante a Operação Torniquete, voltada ao combate de uma quadrilha investigada por roubos de vans na Zona Oeste do Rio.
Enquanto a aeronave sobrevoava a comunidade, criminosos abriram fogo contra o helicóptero. Felipe acabou atingido por um tiro de fuzil na cabeça.
Ele foi socorrido inicialmente para o Hospital Municipal Miguel Couto e depois transferido para o Hospital São Lucas Copacabana. A partir dali começou uma rotina intensa de tratamentos médicos.
Segundo os médicos responsáveis pelo caso, o policial passou mais de sete meses sob cuidados intensivos, enfrentou múltiplas neurocirurgias e permaneceu em coma durante parte da recuperação.
O tiro causou graves danos na estrutura craniana, obrigando os médicos a realizarem procedimentos delicados ao longo dos meses seguintes.
Em uma das etapas do tratamento, Felipe precisou colocar uma prótese craniana para reconstrução da região atingida pelo disparo.
Após cerca de nove meses internado, ele chegou a receber alta hospitalar em dezembro de 2025 e iniciou um processo de reabilitação.
Na época, familiares e colegas comemoraram a evolução do quadro clínico, visto por muitos como uma recuperação improvável diante da gravidade dos ferimentos.
Mas a luta continuou. Nos meses seguintes, Felipe voltou a apresentar complicações severas, incluindo infecções, hematomas e sangramentos intracranianos.
Ele precisou passar por novos procedimentos cirúrgicos e voltou a ser internado em estado grave.
Dias antes da morte, a esposa do policial chegou a relatar nas redes sociais que ele enfrentava uma infecção agressiva e recebia medicações mais fortes para tentar conter o agravamento do quadro.
A morte foi confirmada pela família neste domingo, por meio de uma mensagem publicada no perfil oficial do policial. “Um guerreiro do início ao fim”, escreveu a família.
Ao longo do período de internação, Felipe passou a mobilizar correntes de oração, homenagens de colegas das forças de segurança e manifestações de apoio nas redes sociais.
Um dos suspeitos de participação no ataque foi preso meses depois da operação. Outros envolvidos continuam sendo procurados pelas autoridades.
