
Mirelle PinheiroColunas

Quem é o substituto de Elias Maluco, chefe do CV, alvo de megaoperação
Criam, do CV, tem 27 anotações criminais e uma ficha extensa que inclui tráfico de drogas, homicídios, sequestros e formação de milícia
atualizado
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Apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV) na Baixada Fluminense, o traficante Eliezer Miranda Joaquim, conhecido como “Criam”, é alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (10/7). A coluna apurou que, mesmo preso no Complexo de Bangu, ele continuava dando ordens e comandando a atuação da facção em comunidades estratégicas da região.
A ação foi articulada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e cumpriu 23 mandados de busca e apreensão na Chatuba de Mesquita, um dos redutos sob o domínio do CV. O objetivo foi desarticular a estrutura criminosa montada por Criam, que, é um dos sucessores de Elias Pereira da Silva, o “Elias Maluco”, histórico líder do tráfico no Rio de Janeiro.
Criam tem 27 anotações criminais e uma ficha extensa que inclui tráfico de drogas, homicídios, sequestros, formação de milícia privada e organização paramilitar. Ele já foi condenado a 60 anos de prisão por um ataque ocorrido em 2007, quando, junto a outros seis comparsas armados com fuzis e escopetas, executou um morador que se opunha à instalação de bocas de fumo em São João de Meriti. No mesmo episódio, ele também tentou matar um policial e outro homem.
Mesmo atrás das grades, Criam estruturou um esquema de controle do tráfico e da exploração econômica local, incluindo a venda clandestina de gás e a imposição de taxas ilegais à população. De dentro do presídio, dava ordens aos comparsas que agiam livremente na Chatuba. As investigações da DRE, conduzidas ao longo de sete meses, apontaram para um modelo de dominação com barricadas, presença de homens armados, comércio de entorpecentes e intimidação de moradores.
Durante a operação, policiais também realizaram buscas na cela onde Criam está custodiado, no Presídio Gabriel Ferreira de Castilho. A meta é recolher celulares, documentos e outros materiais que comprovem a continuidade das atividades criminosas sob seu comando.
A Polícia Civil informou que o material apreendido será analisado para aprofundar as investigações, identificar novos integrantes da facção e subsidiar pedidos de prisão preventiva contra os suspeitos ainda em liberdade.
A ação é parte de uma série de investidas na Baixada Fluminense para frear o avanço territorial do Comando Vermelho, que vem se expandindo em regiões estratégicas. Além de enfraquecer o poder bélico e financeiro da facção, a operação também busca devolver à população o direito de circular livremente e acessar serviços públicos essenciais, frequentemente obstruídos pelas estruturas ilegais impostas pelo tráfico.
