Professor, médica e auditora estão entre punidos por fraude na vacina
As penalidades, publicadas no Diário Oficial da União (DOU) dessa quinta-feira (23/7), preveem suspensões de 32 a 47 dias

Um professor universitário que pagou para obter um certificado falso de vacinação contra a Covid-19, uma analista-tributária da Receita Federal que admitiu nunca ter se vacinado e usou um comprovante fraudado em viagem à Itália, um médico e outros servidores públicos estão entre os oito agentes punidos pela Controladoria-Geral da União (CGU) por envolvimento em fraudes no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI).
As penalidades, publicadas no Diário Oficial da União (DOU) dessa quinta-feira (23/7), preveem suspensões de 32 a 47 dias.
Segundo apuração da coluna, os processos administrativos identificaram casos de compra de registros falsos, emissão de certificados fraudulentos e utilização dos documentos para atender exigências de órgãos públicos e até para viagens internacionais.
A reportagem apurou que entre os casos está o do professor da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) Theogenes Silva de Oliveira. Conforme o processo administrativo, ele pagou R$ 600 para que um registro falso de vacinação contra a Covid-19 fosse inserido no SI-PNI e apresentou o certificado fraudado à universidade como comprovante de imunização. A punição aplicada foi de 47 dias de suspensão.
Outro professor punido foi Leandro Henrique Merino Mombach, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). De acordo com a investigação, ele confessou ter pago R$ 400, por meio de um grupo no Telegram, para obter registros falsos de vacinação. Depois, apresentou o certificado adulterado à instituição de ensino. A suspensão aplicada foi de 42 dias.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroTambém foi sancionada a analista-tributária da Receita Federal Ana Carolina Gomes Alziri. A CGU concluiu que ela obteve registros falsos de vacinação, emitiu o certificado e utilizou o documento durante uma viagem à Itália. Em depoimento, afirmou que nunca se vacinou contra a Covid-19. Ela recebeu suspensão de 42 dias.
Entre os profissionais da área da saúde está a técnica em atividades médico-hospitalares do Hospital das Forças Armadas (HFA) Daniela Gonçalves da Rocha Barboza, que obteve registros falsos no SI-PNI e emitiu um novo certificado após a inclusão de três doses inexistentes. A punição foi de 37 dias de suspensão.
O médico do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) Celso Belfort Rizzi Junior também foi punido por obter registros fraudulentos de vacinação e emitir certificados com as doses falsas. A suspensão aplicada foi de 37 dias.
Já a auxiliar de enfermagem do Hospital Federal da Lagoa (HFL) Barbara Soares Ferreira Lacerda obteve registros falsos, emitiu o certificado e posteriormente apresentou o documento ao próprio hospital onde trabalhava. Ela recebeu 47 dias de suspensão.
Outro caso envolve Leandro Mockdece Lacerda, assistente de Tecnologia da Informação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Segundo apurou a coluna, ele pagou R$ 800, divididos em duas transferências de R$ 400, para conseguir quatro registros falsos de vacinação no sistema do Ministério da Saúde e, em seguida, emitiu certificados com as doses inexistentes. A punição foi de 32 dias de suspensão.
Também foi penalizado o estatístico da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) Natan Sant’Anna Borges. Conforme o processo, ele obteve registros falsos, emitiu o certificado logo após a inclusão das doses e utilizou o documento em uma viagem ao Canadá. A suspensão aplicada foi de 42 dias.
Bolsonaro
As punições foram publicadas três anos após a Controladoria-Geral da União identificar indícios de fraude no cartão de vacinação do então ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), investigação que deu origem à operação da Polícia Federal deflagrada em 2023.
Na ocasião, a operação resultou na prisão do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e na apreensão de seu telefone celular.
A análise do aparelho revelou elementos que embasaram outras investigações da Polícia Federal, entre elas os casos das joias e da suposta tentativa de golpe de Estado.
Em março deste ano, contudo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou o inquérito que investigava Bolsonaro por suposta fraude no cartão de vacinação, após a Procuradoria-Geral da República concluir que não havia provas suficientes para confirmar a versão apresentada por Mauro Cid de que o ex-presidente teria determinado a inserção dos registros falsos.





