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Mirelle Pinheiro

“Positivo indesejado”: polícia do Rio mira venda de abortivos pela web.

Batizada de Operação Anjo Caído, a ação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCI)

09/09/2026 08:25
PCERJ/Divulgação
“Positivo indesejado”: polícia do Rio mira venda de abortivos pela webde Fernando Iggnacio O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) obteve decisão da 1ª Vara Criminal da Capital que levará a júri popular o bicheiro Rogério de Andrade, acusado de ser o mandante da morte de Fernando de Miranda Iggnacio, em novembro de 2020, no Recreio dos Bandeirantes. Também foi pronunciado Gilmar Eneas Lisboa, denunciado por monitorar a rotina da vítima antes do crime. A Justiça manteve a prisão preventiva de ambos. De acordo com a denúncia do GAECO/MPRJ, o homicídio foi motivado pela disputa entre Rogério e Fernando pelo controle de pontos de exploração de jogos de azar. A investigação aponta que Rogério determinou a Márcio Araújo de Souza, integrante de sua organização criminosa e homem de sua confiança, que organizasse a execução. Fernando foi morto a tiros de fuzil após desembarcar de helicóptero no heliporto da HeliRio. Os criminosos aguardaram a vítima por cerca de quatro horas em um terreno ao lado do estacionamento. Rogério já havia sido denunciado pelo MPRJ pelo mesmo crime em 2021. Em 2022, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o trancamento daquela ação penal por entender que a denúncia apresentava fragilidade probatória. A partir de um novo Procedimento Investigatório Criminal (PIC), o GAECO/MPRJ aprofundou as investigações, reuniu novas provas sobre a participação de Rogério e identificou Gilmar como mais um envolvido no homicídio. A nova denúncia foi recebida pela Justiça em outubro de 2024 e mantida pelo STF, que, em junho de 2026, rejeitou uma reclamação da defesa de Rogério ao considerar demonstrada a existência de novos elementos de prova. Na decisão de pronúncia, proferida no dia 18/08, a Justiça rejeitou os questionamentos das defesas sobre a validade das provas digitais e concluiu haver indícios suficientes de autoria e participação para que Rogério e Gilmar sejam submetidos ao Tribunal do Júri. A defesa recorreu da decisão, mas a Justiça manteve.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, nesta quarta-feira (9/9), uma operação contra um grupo investigado por usar redes sociais e aplicativos de mensagens para divulgar e comercializar clandestinamente medicamentos abortivos. Cinco pessoas são alvo de mandados de busca e apreensão na Zona Oeste da capital.

Batizada de Operação Anjo Caído, a ação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCI). Os mandados são cumpridos nos bairros de Campo Grande e Cosmos.

Segundo a investigação, perfis nas redes sociais eram utilizados para publicar conteúdos sobre interrupção da gravidez e atrair possíveis compradoras. Depois do primeiro contato, as interessadas eram direcionadas para canais privados de atendimento, nos quais os medicamentos seriam negociados.

Em uma das contas investigadas, policiais localizaram vídeos com títulos como “Como fazer um aborto seguro” e “Ajuda com positivo indesejado”. As publicações continham formas de direcionar as usuárias para o atendimento.

A DRCI identificou o uso de diferentes contas, linhas telefônicas e dispositivos eletrônicos que, segundo a investigação, mantinham conexões entre si.

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A suspeita é de que a multiplicidade de perfis e identidades digitais fosse utilizada para dificultar a identificação de quem estava por trás da comercialização.

Para chegar aos cinco alvos, os investigadores solicitaram informações a empresas de tecnologia e operadoras de telefonia. Foram analisados dados cadastrais, registros de conexão, celulares, linhas telefônicas, contas digitais e outras informações relacionadas à atividade investigada.

De acordo com a Polícia Civil, o cruzamento dos dados permitiu estabelecer vínculos entre os investigados, os números de telefone, dispositivos e endereços usados.

Com os elementos reunidos, a DRCI pediu à Justiça autorização para realizar buscas nos endereços relacionados aos alvos.

Os policiais procuram celulares, computadores, mídias e documentos que possam ajudar a identificar como funcionava a comercialização e qual teria sido a participação de cada investigado.

Além da venda clandestina dos medicamentos, a investigação apura possíveis crimes de incitação e apologia ao crime, falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.