
Mirelle PinheiroColunas

Polícia vai rastrear Pix enviados à mulher que fingiu ter 12 anos
Investigação busca identificar titulares de contas que receberam transferências destinadas à suspeita, antes de ela ser acolhida por família
atualizado
Compartilhar notícia

A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) vai rastrear contas bancárias que receberam transferências via Pix destinadas à mulher de 37 anos que fingiu ser uma adolescente de 12 anos e viveu por 14 meses com uma família em Joinville (SC).
Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, a mulher, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, indicava contas de terceiros para receber dinheiro enviado pela família e por integrantes da comunidade religiosa que a ajudaram após ela relatar uma história falsa de abandono e violência.
A suspeita foi presa preventivamente na terça-feira (2/6) e indiciada nessa quinta-feira (4/6) pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Relembre
De acordo com a investigação, Amanda se aproximou da família por meio de uma igreja da cidade no início de 2025. Apresentando-se como Gabriele, ela dizia ter 12 anos e afirmava ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos e violência sexual.
Após conquistar a confiança da comunidade religiosa, passou a receber ajuda financeira. Dias depois, simulou uma fuga e permaneceu algumas semanas fora de Joinville, mantendo contato com a família por mensagens. Nesse período, pedia dinheiro e indicava contas de terceiros para receber os valores.
Pouco tempo depois, ela solicitou ajuda para retornar à cidade. A família custeou a viagem e a acolheu em casa, onde permaneceu por cerca de 14 meses.
Segundo o delegado, durante o período em que viveu com os moradores, não houve novos pedidos de dinheiro. No entanto, os responsáveis passaram a arcar com despesas relacionadas a alimentação, moradia, medicamentos e demais necessidades da suposta adolescente.
Amanda alegava ter autismo e outros problemas de saúde, afirmando que abusos sofridos na infância teriam afetado seu desenvolvimento físico.
Para reafirmar a história, adotava comportamentos infantilizados, utilizava mamadeiras, chupetas e objetos de apego para dormir, além de afinar a voz e simular crises emocionais.
A fraude começou a ser descoberta após uma denúncia feita por um familiar do casal que a acolhia. A partir daí, a Polícia Civil realizou diligências e confirmou que a suposta adolescente era, na verdade, uma mulher de 37 anos.
Durante o interrogatório, ela confessou ter mentido sobre a identidade.
Segundo a Polícia Civil, Amanda possui registros de situações semelhantes em diferentes regiões do país, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.



