
Mirelle PinheiroColunas

Polícia sobre prisão de Adilsinho: “Bicheiro mais sanguinário” do Rio. Veja vídeo
Adilsinho foi capturado na manhã desta quinta-feira (26), em uma residência em Cabo Frio, na Região dos Lagos
atualizado
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A prisão de Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi classificada pela cúpula da segurança pública como um marco no combate ao crime organizado no Rio.
“É o contraventor mais sanguinário do jogo do bicho no estado”, afirmou o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Fábio Galvão.
Adilsinho foi capturado na manhã desta quinta-feira (26), em uma residência em Cabo Frio, na Região dos Lagos, durante ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-RJ), que reúne Polícia Federal e Polícia Civil.
A operação contou com apoio do Serviço Aeropolicial, e o bicheiro foi transferido de helicóptero para a Superintendência da PF na capital.
Segundo Galvão, a prisão representa um “presente para a sociedade fluminense”.
Ele destacou que o grupo comandado por Adilsinho já havia sido atingido em fases anteriores da Operação Libertatis II, quando três fábricas clandestinas de cigarros foram fechadas.
“Já havíamos estourado três fábricas clandestinas de cigarro, que é outro meio de lucro dele, além do jogo do bicho”, afirmou o superintendente.
Em uma dessas fábricas, mais de 20 paraguaios foram encontrados trabalhando em condições análogas à escravidão.
Investigado por dezenas de homicídios
O secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, também reforçou a gravidade das acusações contra o contraventor.
“Esse marginal é responsável por dezenas de homicídios investigados na capital. Homicídios de rivais, de desafetos, de integrantes da máfia do cigarro e até policiais”, declarou.
Segundo Curi, Adilsinho possui três mandados de prisão por homicídio e é investigado pela morte de um policial penal, além de ser indiciado no assassinato de um advogado executado em plena luz do dia, em fevereiro de 2024, em frente à OAB.
“É uma prisão importante e fruto desse trabalho integrado entre Polícia Civil e Polícia Federal por meio da Ficco”, completou.
Duas décadas no submundo
A trajetória de Adilsinho no crime organizado começou nos anos 2000. Ele ficou conhecido por desenvolver softwares para máquinas de videobingo adulteradas, as chamadas “draculinhas”, que manipulavam resultados para aumentar os lucros das quadrilhas.
Operações como a Furacão (2008) e a Dedo de Deus (2011) já apontavam seu nome no núcleo financeiro do jogo ilegal. Em uma dessas ações, mais de R$ 4 milhões foram apreendidos em sua casa, na Barra da Tijuca. Parte do dinheiro estava escondida em paredes falsas e até no sistema de esgoto.
Com o tempo, ampliou o raio de atuação. De operador de máquinas adulteradas, passou à cúpula do jogo do bicho e consolidou influência no meio carnavalesco, sendo apontado como patrono da escola de samba Salgueiro.
Império bilionário no cigarro ilegal
Nos últimos anos, segundo a Polícia Federal, Adilsinho comandou uma estrutura bilionária voltada ao contrabando e à falsificação de cigarros. O grupo teria movimentado ao menos R$ 5 bilhões entre 2015 e 2024.
A organização operava fábricas clandestinas na Baixada Fluminense e impunha monopólio territorial para distribuição. Comerciantes que se recusavam a vender os produtos eram ameaçados.
As investigações apontam ainda uso de agentes públicos para facilitar a logística e garantir a circulação das cargas. Durante a Operação Libertatis II, deflagrada em março, foram apreendidos veículos de luxo, criptomoedas e bloqueados cerca de R$ 350 milhões em bens.
Captura após anos foragido
Adilsinho estava foragido por força de mandado expedido pela Justiça Federal e era procurado há quase duas décadas também pela Justiça Estadual.
A prisão desta quinta-feira é vista pelas autoridades como um golpe na estrutura armada e financeira da máfia do cigarro e do jogo ilegal no estado.
Agora sob custódia, ele será encaminhado ao sistema prisional fluminense.
