PM nega que mandou prender professor por alimentar gatos: "Conversei".
Caso ocorreu em Boa Vista (RR). Dyanna Vieira nega as acusações de Társis Araújo e diz que tentou resolver o conflito por meio do diálogo

A major da Polícia Militar de Roraima (PMRR) Dyanna Vieira de Oliveira negou as acusações feitas pelo professor e protetor de animais Társis Araújo Magalhães Ramos. Ele afirma que foi preso por determinação da oficial após uma discussão ocorrida enquanto alimentava gatos em situação de rua, no dia 9 de julho, em Boa Vista (RR).
Em nota enviada à coluna, Dyanna Vieira afirmou que não houve abuso de autoridade, intimidação ou uso da chamada “carteirada”. Segundo a major, ela agiu de forma educada e tentou solucionar a situação de maneira pacífica.
De acordo com a versão apresentada pela policial, ao chegar em casa naquele dia, ela encontrou Társis, acompanhado de outro homem, colocando ração para diversos gatos na calçada em frente ao imóvel. A major afirmou que a situação já ocorria havia algum tempo e que, em outras ocasiões, chegou a conversar com a dupla para que a alimentação dos animais fosse realizada em outro local.
“A presença constante dos gatos vinha causando diversos transtornos à família. Os animais acessavam o forro da residência durante a noite, provocavam miados constantes e brigas, especialmente no período de cio. Uma gata chegou a parir no compartimento da caixa d’água e um dos filhotes morreu no local, causando mau cheiro”, explicou a militar.
A major também afirmou que os gatos deixavam urina e fezes em diversos pontos da residência, incluindo o sofá, a cama de seus filhos e o gramado. Segundo ela, os animais ainda subiam no fogão em busca de alimentos e reviravam o lixo da casa.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro“O problema nunca foi alimentar os animais, mas sim que isso ocorresse em outro local, como já havia pedido anteriormente”, afirmou a major.
A confusão
A major também contestou a acusação de que teria utilizado sua condição de policial militar para intimidar os envolvidos. Segundo ela, em nenhum momento informou que era integrante da corporação e afirma que foram os próprios homens que levantaram esse questionamento durante a discussão.
Dyanna disse ainda que, antes de acionar a Polícia Militar, tentou por diversas vezes resolver a situação por meio do diálogo. De acordo com a oficial, ela explicou que a residência era habitada por crianças e relatou os transtornos que a família vinha enfrentando em razão da presença constante dos animais.
Após a chegada da guarnição, os policiais teriam orientado os envolvidos a deixarem o local para evitar novos conflitos. Conforme a versão da major, a solicitação não foi atendida e ambos afirmaram que continuariam alimentando os gatos naquele mesmo ponto e que retornariam diariamente.
Diante do impasse, Dyanna decidiu registrar a ocorrência na Delegacia de Polícia. A major também comentou um vídeo que circula nas redes sociais, no qual o filho dela aparece recolhendo a ração deixada na calçada.
“Sobre um vídeo que circula nas redes sociais, no qual meu filho aparece recolhendo a ração colocada na calçada, esclareço que o alimento foi apenas retirado da frente da residência e colocado do outro lado da rua, conforme o vídeo gravado por mim.”
A policial também rebateu a informação de que um dos envolvidos teria sido levado no camburão, esclarecendo que ele foi transportado no compartimento interno da viatura. Segundo Dyanna, ao chegarem à delegacia, ela permaneceu aguardando a confecção dos documentos, quando percebeu que um dos envolvidos passou a interferir na elaboração do registro da ocorrência pelos policiais.
Na avaliação da major, essa conduta motivou a decisão da equipe de colocá-lo no compartimento de segurança da viatura até a chegada do advogado e a conclusão do Registro da Ocorrência Policial (ROP).
Por fim, Dyanna informou que sua defesa já adotou todas as medidas judiciais cabíveis.
O outro lado
Segundo Társis, os recipientes com ração e água não estavam em frente ao imóvel da major, mas na calçada da residência vizinha. Ele afirma que possui autorização da proprietária do imóvel para alimentar os animais no local.
De acordo com o relato do professor, a major pediu que ele parasse de alimentar os gatos. Társis afirma ainda que foi chamado de “marginal” e de “filho da puta” pela oficial.
Ainda segundo o boletim de ocorrência do protetor, Eduardo Moura, filho da militar, e Daniel Moura, marido da major, também teriam feito ameaças contra o professor enquanto o impediam de continuar alimentando os animais.
Ao determinar a prisão do protetor de animais, a major alegou que ele a havia ameaçado e praticado os crimes de desobediência e perturbação do sossego alheio.
O que diz a PM
Por meio de nota, a corporação informou que tomou conhecimento do caso e esclareceu que a ocorrência foi atendida por uma guarnição de serviço.
Segundo a Polícia Militar, a major não estava em serviço no momento dos fatos, razão pela qual o episódio, em princípio, não decorreu de atuação institucional da corporação.
Em relação aos questionamentos sobre a condução da ocorrência, a PM informou que as circunstâncias do caso estão sendo apuradas para a devida análise.





