PF já apreendeu R$ 30 milhões em operações contra crimes eleitorais em 2026
As investigações envolvem crimes como falsidade ideológica eleitoral, caixa 2 e corrupção eleitoral, que inclui a compra de votos

Um relatório da Polícia Federal (PF), ao qual a coluna teve acesso, mostra que a corporação já apreendeu R$ 32,2 milhões em dinheiro e bens durante investigações de crimes eleitorais em 2026, até o momento. O valor inclui R$ 19 milhões encontrados em espécie e outros R$ 13,2 milhões correspondentes a bens recolhidos pelos policiais.
Os dados indicam que o montante supera em mais de três vezes o registrado em todo o ano eleitoral de 2022. Entre os estados, Roraima, Tocantins e Pará concentram os maiores valores apreendidos neste ano.
As investigações envolvem diferentes tipos de crimes previstos na legislação eleitoral. Entre os principais estão falsidade ideológica eleitoral, falsificação de documentos e corrupção eleitoral, que inclui a compra de votos. A PF também investiga casos de violência política de gênero e raça.
Como divulgou a coluna, em Roraima, por exemplo, os policiais encontraram no dia 4 de setembro cerca de R$ 4 milhões em notas durante uma abordagem ao empresário Luiz Brito — conhecido no setor da construção civil no estado e fundador de uma empresa que atua em obras de infraestrutura — e um policial militar aposentado, identificado como José Bertoldo Peres Júnior.
No momento da apreensão, Brito afirmou que o dinheiro seria utilizado na compra e em investimentos em terrenos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroTambém em Roraima, o candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL) foi preso no dia 25 de setembro, durante a Operação Cunhambebe, que investiga suspeitas de crime eleitoral.
Já nessa terça-feira (29/9), o candidato a deputado federal Manoel Pioneiro (Republicanos-PA) foi preso em flagrante durante uma investigação sobre suspeitas de corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro. A ação ocorreu após o saque de R$ 300 mil em espécie em uma agência bancária de Belém (PA).
Valores apreendidos
O levantamento mostra, no entanto, que as apreensões de 2026 ainda estão abaixo do registrado nas eleições municipais de 2024, quando foram recolhidos R$ 63 milhões em bens e valores. Já em 2022, o total foi de R$ 10 milhões.
Neste ano, Roraima soma R$ 4,60 milhões em bens apreendidos, enquanto Tocantins registra R$ 4,44 milhões e Pará, R$ 3,28 milhões.
O volume de dinheiro vivo apreendido também cresceu em setembro. O valor passou de R$ 1,27 milhão em 2022 para R$ 8,57 milhões em 2024, chegando a R$ 12,34 milhões neste ano.
Além disso, a PF mapeou nove operações voltadas à investigação de interferência de facções criminosas nas eleições. As ações ocorreram no Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Sul.
Inquéritos
- Ao todo, 1.215 inquéritos foram abertos pela PF para investigar crimes eleitorais em 2026. Rio de Janeiro lidera, com 140, seguido por Maranhão com 121 e 120 do Ceará.
- 49 operações sobre crimes eleitorais foram homologadas neste ano. Ceará lidera, com nove.
- 1.513 inquéritos foram concluídos, com duração média de 404 dias. Em 92% dos casos houve uma conclusão: 38% tiveram a autoria identificada e 53% concluíram que não houve crime.





