
Mirelle PinheiroColunas

Nairobi e comparsas: presos do CV operavam rede de extorsão e tráfico
Os faccionados estão por trás de um robusto esquema com extorsão a lojistas, tribunal do crime e “controle de qualidade” dos entorpecentes
atualizado
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A Polícia Civil do Mato Grosso (PCMT) deflagrou, nesta terça-feira (16/9), uma operação para desarticular uma quadrilha, formada por membros do Comando Vermelho (CV), que comandava dois esquemas criminosos em Aripuanã (MT): tráfico de drogas e extorsão a garimpeiros e compradores de ouro.
A operação, batizada de Primatus, investiga um grupo criminoso que se associou para praticar os crimes de tráfico de drogas, homicídios, extorsões, ameaças, tortura e lavagem de dinheiro no município.
Três alvos, que atuavam de dentro da cadeia, foram identificados como Jozimar da Silva dos Reis, Mikaele Carolina Almeida da Silva e Sheila do Nascimento, chamada no universo criminal pelo codinome de “Nairobi”.
Segundo a PCMT, foram realizados dois meses de investigações, que apontaram um robusto esquema organizacional dentro do grupo criminoso, com suspeitos responsáveis pela liderança, por julgamentos, pelos castigos (conhecidos popularmente como “salves”), por extorsões a comerciantes, pela distribuição de drogas e até mesmo pelo “controle de qualidade” dos entorpecentes.
Havia também membros responsáveis por distribuir cestas básicas a pessoas carentes, como forma de cativar as famílias vulneráveis. Essas cestas eram adquiridas com dinheiro do tráfico, ou por pessoas que eram obrigadas a comprar, a mando da facção, por terem cometido algum ato que desagradasse o grupo criminoso.
Extorsão a garimpeiros
As investigações apontaram que uma parte da facção vinha extorquindo compradores de ouro, garimpeiros e proprietários de áreas de extração de minério em Aripuanã. Por meio de grave ameaça, os criminosos estavam cobrando até 2% sobre a comercialização de ouro e sobre a venda de áreas de exploração na região.
Esse mesmo braço do grupo também atuava no ramo de cobrança de dívidas particulares, recebendo repasses de credores, em troca de ficar com um percentual do montante recuperado.
Mandados
Diante da investigação, o delegado Rodrigo Azem representou pelas 62 ordens judiciais, que foram deferidas pela Justiça e cumpridas nesta terça (16).
A polícia também realizou o bloqueio de valores de até R$ 1 milhão. Foram sequestrados quatro veículos, uma I/RAM 3500, uma Toyota Hilux, um Chevrolet Camaro e uma Dodge Ram.
Duas empresas tiveram as atividades econômicas suspensas, uma do ramo de terraplanagem e outra de comércio de alimentos, ambas em Aripuanã.
Participaram da operação 80 policiais civis da GCCO, da Draco, da Delegacia de Aripuanã, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Ciopaer e das regionais de Alta Floresta, Guarantã do Norte, Juína, Sinop e Tangará da Serra.
As ordens judiciais foram, majoritariamente, cumpridas em Aripuanã, sendo que apenas quatro mandados de prisão, que tinham como alvo pessoas já presas, foram cumpridos em Cuiabá e em Colniza.
A ação foi realizada pelas Gerências de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e Delegacia de Aripuanã.
