Mirelle Pinheiro

MP faz operação contra facção que ordena mortes e tráfico de presídio

Os celulares eram utilizados como instrumentos de comando das facções mesmo dentro do sistema penitenciário

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/MPRS
Gaeco MPRS
1 de 1 Gaeco MPRS - Foto: Divulgação/MPRS

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou nesta segunda-feira (1º/6) uma operação para interromper a comunicação de integrantes de facções criminosas que atuavam de dentro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), uma das principais unidades prisionais do estado.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), investigações identificaram que celulares estavam sendo utilizados por presos para coordenar o tráfico de drogas, ordenar execuções, praticar extorsões e movimentar recursos financeiros ligados às organizações criminosas.

A ação foi batizada de Operação Convergência Nacional RS 01 e integra uma ofensiva nacional do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que reúne Ministérios Públicos de todo o país no enfrentamento às facções.

As investigações tiveram início a partir de um trabalho de inteligência que utilizou tecnologia para mapear sinais eletrônicos ativos dentro da unidade prisional.

A partir da varredura, os investigadores conseguiram identificar 16 alvos e direcionar a operação para áreas consideradas estratégicas da penitenciária, incluindo o módulo de segurança máxima e galerias ocupadas por lideranças criminosas.

Segundo o Ministério Público, a análise confirmou que os celulares eram utilizados como instrumentos de comando das facções mesmo dentro do sistema penitenciário.

Os aparelhos permitiam que ordens fossem transmitidas para integrantes em liberdade, mantendo atividades criminosas em funcionamento fora dos muros da prisão.

As apurações também indicam que os dispositivos ingressavam na unidade por diferentes métodos, incluindo uso de drones e arremessos realizados a partir do exterior do presídio.

Durante a operação, equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em diversas celas da penitenciária.

Projeto Frequência Zero

A ação marcou ainda o lançamento do projeto Frequência Zero, iniciativa criada pelo Gaeco para combater o uso de celulares dentro das unidades prisionais gaúchas.

O programa prevê o mapeamento permanente de sinais clandestinos, a apreensão dos aparelhos identificados e o bloqueio definitivo dos equipamentos por meio do cancelamento nacional do IMEI, número único que identifica cada telefone celular.

Na prática, os aparelhos apreendidos deixam de funcionar em qualquer rede de telefonia do país, impedindo que sejam reutilizados por criminosos.

Além disso, o projeto prevê integração com órgãos de inteligência e autorização judicial para extração de dados dos aparelhos, incluindo conteúdos armazenados em nuvem.

Para o coordenador estadual do Gaeco, promotor Rogério Meirelles Caldas, o objetivo é atacar uma das principais ferramentas utilizadas pelas facções para manter influência mesmo com seus líderes encarcerados.

“Além da nossa meta constante de descapitalizar as facções, o objetivo agora também é estabelecer um ambiente de frequência zero dentro dos presídios, onde nenhuma comunicação ilícita consiga operar”, afirmou.

A expectativa do Ministério Público é que a medida reduza a capacidade de comando remoto das organizações criminosas e contribua para diminuir crimes praticados fora das unidades prisionais.

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