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Mirelle Pinheiro

MP denuncia delegado e policiais por desviar e vender 100 kg de drogas

O MP da Paraíba pediu à Justiça a perda dos cargos dos denunciados e indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos em cada denúncia

28/07/2026 10:47
Divulgação/MPPB
MP denuncia delegado e policiais por desviar e vender 100 kg de drogas

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) denunciou um delegado e dois investigadores da Polícia Civil por desviar e vender cerca de 100 quilos de drogas apreendidas em operações policiais.

Segundo as denúncias apresentadas pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) na última sexta-feira (24/7), os investigados desviavam entorpecentes apreendidos e realizavam incursões clandestinas para retirar drogas, que depois eram comercializadas, inclusive dentro do sistema prisional.

Os três são investigados pelos crimes de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.

De acordo com o Ministério Público, para ocultar o esquema, os denunciados manipulavam registros policiais para dar aparência de legalidade às ações e ainda repassavam informações sigilosas a traficantes.

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Condenação e perda de cargos

Entre os pedidos apresentados pelo Gaeco à Justiça está a perda dos cargos públicos dos três denunciados, caso sejam condenados. Segundo o órgão, a medida se justifica pela violação dos deveres funcionais e pela incompatibilidade da conduta com o exercício da função pública.

O Gaeco também pede que os denunciados sejam condenados ao pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 1 milhão em cada denúncia, além da perda de veículos, bens e ativos financeiros bloqueados ou apreendidos durante a operação.

Em relação ao lucro obtido com o desvio de entorpecentes apreendidos, subnotificados e posteriormente revendidos, o Ministério Público requer o confisco do patrimônio supostamente adquirido com a atividade criminosa.

Na primeira denúncia, o valor de referência para o desmantelamento do patrimônio ilícito é de R$ 2,1 milhões, correspondente ao valor de mercado da droga desviada. Na segunda, o valor indicado para o confisco é de R$ 1 milhão, montante associado ao desvio de aproximadamente 100 kg de entorpecentes.

Operação Perfidus

O trio foi preso durante a Operação Perfidus, deflagrada em 2 de junho de 2026 pelo Gaeco e pela Polícia Civil da Paraíba, por meio da Draco e da Unintelpol, no âmbito da articulação Convergência Nacional.

O nome Perfidus, termo em latim que significa “traidor” ou “desleal”, faz referência, segundo os investigadores, à atuação de agentes públicos que teriam utilizado as prerrogativas dos cargos e a estrutura do Estado para a prática de atividades criminosas.