Mirelle Pinheiro

Ministério critica Castro por divulgar transferência de presos do CV; governador rebate

Ministério da Justiça repreende governador por anunciar transferência de líderes do Comando Vermelho antes da conclusão da ação

atualizado

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Vinicius Schmidt/Metrópoles
Governador Cláudio Castro
1 de 1 Governador Cláudio Castro - Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles

A transferência de sete chefes do Comando Vermelho (CV) para presídios federais reacendeu a tensão entre o governo do Rio de Janeiro e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O governador, no entanto, alegou que “não chegou, em nenhum momento, pedido para que não se falasse”, disse. “Antes de criticar, ele tem de orientar. Não orienta e, depois critica, parece má vontade. Mais uma”, completou.

Nesta quarta-feira (12/11), o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, criticou publicamente o governador Cláudio Castro (PL) por ter divulgado antecipadamente nas redes sociais informações sobre a operação sigilosa coordenada pela Polícia Penal Federal (PPF).

“Informações sobre operações desse tipo só devem ser divulgadas após a conclusão, por segurança. A divulgação antecipada compromete o planejamento e pode gerar riscos desnecessários”, afirmou Garcia.

A crítica foi interpretada dentro do governo federal como um recado direto ao Palácio Guanabara, que publicou imagens e declarações comemorando a ação antes do encerramento da operação, o que teria rompido o protocolo de segurança.

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Arnaldo da Silva Dias (“Naldinho”)
Alexander de Jesus Carlos (“Choque”)
Roberto de Souza Brito (“Irmão Metralha”)
Fabrício de Melo Jesus (“Bicinho”)
Eliezer Miranda Joaquim (“Criam”)
Carlos Vinícius Lírio da Silva (“Cabeça do Sabão”)
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Carlos Vinícius Lírio da Silva (“Cabeça do Sabão”)

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Arnaldo da Silva Dias (“Naldinho”)
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Arnaldo da Silva Dias (“Naldinho”)

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Alexander de Jesus Carlos (“Choque”)
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Alexander de Jesus Carlos (“Choque”)

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Roberto de Souza Brito (“Irmão Metralha”)

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Fabrício de Melo Jesus (“Bicinho”)

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Eliezer Miranda Joaquim (“Criam”)

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 Marco Antônio Pereira Firmino da Silva (“My Thor”)
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Marco Antônio Pereira Firmino da Silva (“My Thor”)

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Gov RJ/Divulgação

Postagem de Castro irritou Brasília

Em suas redes sociais, Cláudio Castro anunciou a transferência dos sete traficantes e afirmou ter conseguido as vagas “depois de procurar o Ministério da Justiça”, descrevendo a medida como uma “vitória no enfrentamento ao crime organizado”.

“Não vamos permitir que o Rio de Janeiro vire um resort do crime”, escreveu o governador.

A postagem irritou integrantes da Senappen e da Polícia Penal Federal, que consideram esse tipo de informação estritamente sigilosa até a finalização das escoltas, justamente para evitar vazamentos, emboscadas e riscos aos agentes federais envolvidos.

De acordo com fontes da cúpula da segurança, a divulgação feita pelo governo fluminense expos detalhes logísticos da operação e colocou em risco o deslocamento dos presos, o que motivou o pronunciamento público de André Garcia.

Transferência de alto risco

A operação transferiu sete chefes do Comando Vermelho que estavam em Bangu 1, no Complexo de Gericinó, para presídios federais de segurança máxima.

Os criminosos enviados ao sistema federal foram:

  • Roberto de Souza Brito, o Irmão Metralha — Complexo do Alemão;
  • Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho — administrador da “caixinha” do CV;
  • Alexander de Jesus Carlos, o Choque ou Coroa — Alemão;
  • Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor — Morro Santo Amaro;
  • Fabrício de Melo de Jesus, o Bicinho — Volta Redonda;
  • Carlos Vinícius Lírio da Silva, o Cabeça — Niterói;
  • Eliezer Miranda Joaquim, o Criam — Baixada Fluminense.

Segundo a Senappen, as vagas foram solicitadas pelo governo do Rio no fim de outubro e atendidas integralmente no dia 28, após autorização judicial.

Com a nova leva, o Rio de Janeiro passa a ser o estado com mais presos sob custódia federal: 66 detentos de alta periculosidade, sendo 19 incluídos apenas em 2025.

Atritos recorrentes entre Castro e o governo federal

O episódio marca mais um embate entre Cláudio Castro e o Ministério da Justiça, comandado por Ricardo Lewandowski.

Em outubro, durante a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, o governador acusou o governo federal de “abandonar o estado” no combate ao tráfico e disse que o Rio estava “sozinho” na guerra contra o crime organizado.

A declaração gerou desconforto em Brasília. Poucas horas depois, o ministério reagiu com uma nota oficial, afirmando ter atendido todas as solicitações de apoio feitas pelo governo fluminense, incluindo o envio da Força Nacional.

Desde então, a relação entre Castro e o governo Lula tem sido marcada por desconfiança e disputas de protagonismo na área da segurança pública.

Enquanto o governo federal defende uma abordagem integrada e técnica, Castro tem apostado em operações midiáticas e discursos duros, buscando reforçar sua imagem de enfrentamento ao crime.

Sigilo e segurança

A Senappen reforçou que as operações de transferência de detentos seguem protocolos rigorosos de segurança e confidencialidade.

Nas penitenciárias federais, cada preso ocupa cela individual, não tem contato com outros detentos e passa 22 horas por dia em isolamento, sob vigilância constante de policiais penais e sistemas eletrônicos.

Desde a criação do sistema, em 2006, não há registros de fugas, rebeliões ou entrada de itens ilícitos.

As visitas ocorrem sem contato físico, apenas por parlatório, e todos os itens de higiene e alimentação são fornecidos pelas próprias unidades.

“O modelo federal de execução penal é referência nacional em segurança, disciplina e legalidade”, destacou a Senappen.

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