Militares do Exército são condenados por trote que fez soldado perder órgão
Vítima precisou passar por cirurgia e ficou afastada das atividades por 54 dias

Sete militares do Exército foram condenados pelo Superior Tribunal Militar (STM) por envolvimento em uma série de agressões contra um soldado durante um trote conhecido no meio militar como “chá de manta”. A prática consiste em imobilizar a vítima em um tecido ou cobertor para, em seguida, aplicar socos, chutes e outros golpes físicos.
No caso analisado pela Justiça Militar, as agressões provocaram lesões graves no soldado, que precisou passar por uma cirurgia para retirar o baço.
Segundo a denúncia, o episódio ocorreu em 22 de fevereiro de 2024, no alojamento da Companhia de Comando da Base de Apoio Logístico do Exército, em Deodoro, na Vila Militar (RJ), durante o horário de almoço. Na ocasião, os soldados determinaram que a vítima fosse para o centro do alojamento, retirasse a camisa e abraçasse uma pilastra.
Em seguida, os militares se posicionaram ao redor dele e, um a um, passaram a desferir tapas em suas costas.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroDe acordo com os autos, a prática teria sido realizada sob a justificativa de “comemorar” o engajamento de soldados do efetivo variável, os recrutas, que seriam transferidos para o alojamento do efetivo profissional.
Após as agressões, o soldado continuou sua rotina de trabalho, mas começou a sentir fortes dores no abdomên e nas costas. Mais tarde, procurou atendimento médico acompanhado da mãe.
Uma tomografia realizada na madrugada de 23 de fevereiro identificou líquido na cavidade abdominal. O militar foi encaminhado ao Hospital Geral de Nova Iguaçu e submetido a uma cirurgia que encontrou cerca de um litro de sangue e um trauma no baço. Por causa da lesão, foi necessária a retirada cirúrgica do órgão.
O exame de corpo de delito apontou que as agressões provocaram risco de morte, perda permanente da função imunológica e incapacidade para as atividades habituais por mais de 30 dias. O militar ficou afastado por 54 dias e voltou ao trabalho em 16 de abril de 2024.
Condenação
O caso começou a ser investigado por meio de um Inquérito Policial Militar, aberto após a oficial do dia comunicar as agressões ao comandante da Base de Apoio Logístico do Exército. A investigação apontou indícios de crime e o processo foi encaminhado à Justiça Militar.
Em 8 de julho de 2025, a Justiça Militar condenou os sete militares por lesão corporal grave. Dois receberam pena de um ano, dois meses e 12 dias de detenção, enquanto os outros cinco foram condenados a um ano de detenção cada.
O Ministério Público Militar recorreu ao STM e pediu, entre outras medidas, que fosse definido um valor mínimo de indenização para a vítima. A defesa dos militares, feita pela Defensoria Pública da União, pediu a absolvição e alegou falta de provas.
Ao analisar os recursos, o STM decidiu manter as condenações. Quatro ministros, porém, defenderam que, além das penas, fosse fixada uma indenização de R$ 8 mil à vítima por danos causados pelas agressões.





