"Milícia de gravata" e orcrim: veja candidatos barrados pelo TRE-RJ
Decisões atingem candidatos a deputado estadual e federal e citam vínculos com grupos criminosos. De todas as decisões, cabe recurso ao TSE

O Colegiado do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, nessa segunda-feira (14/9), o registro de candidatos aos cargos de deputado estadual e deputado federal com base em indícios de envolvimento com organização criminosa ou com a chamada “milícia de gravata”.
O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou que o Colegiado cumpriu com firmeza seu papel no enfrentamento às tentativas de infiltração do crime organizado na política.
“A Corte deixou claro que não há qualquer tolerância com a atuação do tráfico de drogas e das milícias, e agiu com rigor para proteger a democracia. Não é possível permitir que as organizações criminosas se apossem das estruturas de poder do estado pela via eleitoral”, afirma o magistrado.
A coluna compilou os nomes dos candidatos que tiveram suas candidaturas barradas até este momento. De todas as decisões, cabe recurso ao TSE.
Organização criminosa
- Cristiane Brasil Francisco (DC)
Segundo o Colegiado, há elementos que evidenciam seu envolvimento com organização criminosa com emprego de arma de fogo. A candidata a deputada federal responde a uma ação penal que, embora tenha sido rejeitada por incompetência do Juízo, está submetida a recurso e ainda não teve análise de mérito. Cristiane Brasil teve prisão cautelar decretada e cumprida em setembro de 2020.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro- Vaguinho Neguinho (PRD/Solidariedade)
Candidato a deputado estadual, teve o registro indeferido por envolvimento com organização criminosa de caráter paramilitar. Segundo o TRE-RJ, o conjunto probatório revelou forte vinculação do candidato a estruturas do crime organizado e a milícias da Baixada Fluminense. Entre as evidências, há troca de mensagens com lideranças de facções criminosas.
- Paulo César Melo de Sá (União Brasil/PP)
Candidato a deputado estadual, teve o registro indeferido por envolvimento com organização criminosa de caráter paramilitar. Ele foi apontado como líder de um grupo com braço armado envolvido na exploração de máquinas caça-níqueis.
- Vandro Família (Federação PSDB Cidadania)
TRE-RJ não revelou detalhes do que motivou o indeferimento por organização criminosa
- Val Ceasa (PRD)
TRE-RJ não revelou detalhes do que motivou o indeferimento por organização criminosa
- Renato Machado (Federação Brasil da Esperança — PT/PCdoB/PV)
TRE-RJ não revelou detalhes do que motivou o indeferimento por organização criminosa
- Diego José Alba (Federação PSDB Cidadania)
TRE-RJ não revelou detalhes do que motivou o indeferimento por organização criminosa
- Mariana de Souza (Federação União Progressista)
TRE-RJ não revelou detalhes do que motivou o indeferimento por organização criminosa
- João Drumond (Federação Renovação Solidária — PRD/Solidariedade)
TRE-RJ não revelou detalhes do que motivou o indeferimento por organização criminosa
- Cristiano Santos Hermógenes (Avante)
TRE-RJ não revelou detalhes do que motivou o indeferimento por organização criminosa
Por “milícia de gravata”
A tese de “milícia de gravata” abrange organizações criminosas voltadas à prática de crimes contra a Administração Pública, com base na interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do artigo 17, parágrafo 4º, da Constituição Federal.
- Clébio Lopes Jacaré (Federação União Progressista)
Candidato a deputado federal, teve o registro indeferido com base na tese de “milícia de gravata”. Por maioria, a Corte considerou robustas as provas de uma ação penal na qual ele foi denunciado como um dos principais líderes de uma organização criminosa envolvida no desvio sistemático de verbas públicas e no comando paralelo de prefeituras do interior do estado, entre elas a de Itatiaia.
- Filipe de Almeida (Podemos)
Candidato a deputado federal, teve o registro indeferido por envolvimento com uma organização criminosa caracterizada como “milícia de gravata”. Segundo o TRE-RJ, ele seria integrante de uma organização criminosa estruturada a partir da chefia do Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro durante o governo de Wilson Witzel.
- Everaldo Dias, o Pastor Everaldo (Podemos)
Candidato a primeiro suplente de senador, teve o registro indeferido por envolvimento com uma organização criminosa caracterizada como “milícia de gravata”. Ele foi apontado como líder da organização criminosa da qual Filipe de Almeida seria integrante.





