
Mirelle PinheiroColunas

Manipulação de sentenças: PF cumpre mandados contra desembargador
O caso tramita sob sigilo no STJ e envolve suspeitas de um esquema para manipulação de sentenças em processos ligados a disputa agrária
atualizado
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A Polícia Federal (PF) cumpriu, na manhã desta quinta-feira (2/10), mandados de busca e apreensão contra o desembargador José James Gomes Pereira, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI). As ordens judiciais, expedidas pelo ministro Sebastião Reis Júnior, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), também miraram a filha do magistrado e três advogados, entre eles Germano Coelho Silva Barbosa e Juarez Chaves.
As diligências ocorreram em Teresina, tanto na residência quanto no gabinete do desembargador. O caso tramita sob sigilo no STJ e envolve suspeitas de um esquema para manipulação de sentenças em processos da área cível ligados a disputas agrárias.
Segundo a PF, o objetivo é reunir documentos físicos e eletrônicos que possam indicar repasse de valores, ocultação de bens e associação entre os investigados.
A ordem também autorizou a apreensão de celulares, computadores, mídias digitais, dinheiro em espécie e até obras de arte, desde que seja comprovada a ligação com recursos ilícitos.
Repercussão institucional
O Tribunal de Justiça do Piauí confirmou que foi comunicado oficialmente e afirmou que todas as medidas foram cumpridas sem impacto no funcionamento dos serviços judiciais.
A Associação dos Magistrados Piauienses (Amapi) destacou que acompanha o caso, presta assistência jurídica ao desembargador e reforçou que ele terá a oportunidade de se defender com todas as garantias constitucionais.
Já a OAB-PI declarou que segue atenta aos desdobramentos e permanece vigilante para assegurar as prerrogativas da advocacia.
Contexto da investigação
A apuração tem origem em outra frente investigativa conduzida pela Polícia Civil do Piauí. Nela, advogados são suspeitos de falsificar dossiês para pressionar magistrados a emitir decisões favoráveis em ações judiciais envolvendo disputas de terras.
O desembargador José James é apontado como possível beneficiador de decisões que favoreceram integrantes do esquema. Até o momento, a PF não detalhou qual teria sido sua participação direta.
