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Mirelle Pinheiro

Mãe de Oruam negociou casa de luxo com herdeiro da Paris Filmes

Uma operação foi deflagrada nessa quarta-feira (29/4) pela PCERJ para desarticular braço financeiro do CV

, Repórter de Mirelle Pinheiro30/04/2026 03:56, atualizado 30/04/2026 13:42
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Instagram/Reprodução
Após ordem de prisão, Márcia Gama, mãe de Oruam, desabafa e fala em "perseguição" - Metrópoles

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) investiga a compra de um imóvel de luxo no Vidigal, Zona Sul do Rio de Janeiro, que teria sido utilizado para lavagem de dinheiro do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP — apontado como um dos principais líderes da facção — negociaram a aquisição da chamada “casa de vidro” com o empresário Sandi Adamiu, herdeiro da Paris Filmes. À coluna, a distribuidora informou que o empresário não integra mais a equipe da companhia.

Conversas obtidas pela coluna mostram a negociação direta entre Márcia dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Mauro Nepomuceno, o Oruam, e o empresário. Em setembro de 2021, Sandi propõe a venda do imóvel por cerca de R$ 1,4 milhão, com entrada de R$ 600 mil até outubro e o restante parcelado.

“Fiquei feliz que a casa vai ficar com vc e vou poder te visitar”, disse em mensagem.

Márcia responde que precisa de tempo para levantar o valor e pede flexibilidade nas condições.  “Bom dia Sandy, eu preciso de um tempo para levantar esse valor. Não tem como eu arrumar assim. Vc falou que iria ser flexível comigo. Não tem como com pressão. Se não conseguir libero a casa. Ali só D. Gilda mesmo para comprar a casa. Ou o tráfico”.

Em maio de 2022, em nova mensagem, o empresário faz uma espécie de prestação de contas, indicando que já havia recebido R$ 1,04 milhão, restando R$ 260 mil para quitação.

Além disso, a coluna também teve acesso a um comprovante de depósito de R$ 15 mil para a conta de Sandi, realizado em outubro de 2022, sem descrição sobre qual seria o motivo do valor depositado.

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Troca de mensagens entre o empresário Sandi e Márcia dos Santos
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Imóvel de Luxo

Segundo as investigações, a família de Marcinho VP já utilizava o imóvel antes mesmo da conclusão da negociação. Meses antes, o filho de Marcinho, Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, reclamava com Márcia sobre atrasos em obras no local.

Em mensagens, ele menciona o atraso na construção de kitnets. “Minha obra está muito atrasada. Até agora não começou. Ele vai arrumar problema comigo também, vou começar a travar dinheiro agora”, disse à mãe.

Os diálogos revelam controle direto dos recursos da facção, incluindo pagamentos, prazos e repasses financeiros. As conversas também registram divisão de valores e cobranças relacionadas a imóveis, o que, segundo a polícia, reforça o uso de propriedades para dar aparência legal ao dinheiro oriundo do tráfico de drogas.

Outras mensagens mostram Márcia conversando com o filho Oruam sobre investimentos. Em um dos trechos, o rapper afirma que pretende usar “dinheiro” obtido com o pai para investir em uma “whiskeria” e em uma barraca com venda de açaí.

Oruam fala para Márcia que vai pegar “negócio” com o pai, Marcinho VP

Operação Contenção

A investigação faz parte de uma operação deflagrada nesta quarta-feira (29/4) pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que tem como objetivo desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho, responsável pela movimentação e ocultação de recursos ilícitos.

Os alvos da prisão são Márcia Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, e o irmão do artista, Lucas Santos Nepomuceno. O pai do cantor, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, preso no sistema federal, também é investigado.

Entre os investigados estão ainda Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como liderança no Complexo da Penha, além dos traficantes conhecidos como Macaco Russo e Pezão.

Um homem apontado como um dos operadores financeiros da facção foi preso. Trata-se de Carlos Alexandre Martins da Silva.

As investigações também identificaram diálogos entre integrantes do grupo e lideranças do Comando Vermelho, incluindo Carlos Costa Neves, o “Gardenal”.

A coluna obteve registros de conversas entre Gardenal e o miliciano André Boto, que teria se aliado ao CV.

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Conversa entre o miliciano Boto e o traficante Gardenal
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Em nota à coluna, a Paris Filmes esclarece que não possui qualquer relação com a mencionada Casa de Vidro do Vidigal ou com os fatos recentemente divulgados.

“A empresa informa ainda que seus atuais sócios não são herdeiros ou sucessores dos fundadores da antiga Paris Filmes. O único parente ligado aos fundadores não integra mais a companhia desde meados 2022. A Paris Filmes reafirma seu compromisso com a legalidade e a condução ética de suas atividades.”