Líder de pirâmide financeira que movimentou R$ 600 milhões é preso
Suspeito de aplicar golpes com falsas operações na Bolsa de Valores, Francisco das Chagas se entregou à PCPI nesta quarta-feira (22/7)

O empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva (foto em destaque), conhecido como “Chico Trader”, foi preso nesta quarta-feira (22/7) após se apresentar espontaneamente à Polícia Civil do Piauí (PCPI) durante a segunda fase da Operação Extrema Confiança. Apontado como um dos líderes de um suposto esquema de pirâmide financeira, ele é investigado por causar prejuízos milionários a centenas de investidores nos estados do Piauí e do Maranhão.
A prisão foi cumprida pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Francisco compareceu à sede da unidade policial acompanhado de advogados, prestou depoimento e, em seguida, foi encaminhado para audiência de custódia.
Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado captava recursos de investidores com a promessa de rendimentos de até 10% ao mês por meio de supostas operações na Bolsa de Valores.
Em 2025, os pagamentos deixaram de ser realizados e os responsáveis desapareceram, deixando centenas de vítimas sem acesso aos valores investidos.
As investigações apontam que a movimentação financeira identificada nas contas de Francisco e da empresa Xtreme Trade ultrapassa R$ 600 milhões. A estimativa inicial era de R$ 440 milhões, mas o valor foi revisado após o avanço das apurações.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroA polícia afirma que aproximadamente 330 pessoas foram prejudicadas, algumas delas com investimentos superiores a R$ 1 milhão.
Durante o interrogatório, Francisco informou que estava morando em Ciudad del Este, no Paraguai. Ele também declarou que os recursos aplicados pelos investidores teriam sido perdidos em operações na Bolsa de Valores ainda no ano passado e afirmou não possuir patrimônio suficiente para ressarcir os prejuízos.
Segundo a polícia, na conta empresarial de Francisco foi encontrado apenas centavos. Já na conta pessoal, o valor identificado era de R$ 100.
O delegado Luciano Alcântara, responsável pela investigação, explicou que a primeira fase da Operação Extrema Confiança cumpriu mandados de busca e apreensão.
“Com o aprofundamento das investigações, identificamos investigados com fortes indícios de participação no golpe financeiro e representamos pelas prisões. Nesta fase, foram expedidos quatro mandados”, afirmou.
À coluna, o delegado afirmou que agora apenas uma investigada continua foragida. Trata-se de Kayra Cardoso Guimarães, esposa de Francisco, que também estava no Paraguai com o investigado antes de ele se entregar à polícia.
Segundo o delegado, os advogados de Kayra informaram que ela não pretende se apresentar às autoridades no momento.
A investigação da polícia também aponta que o suspeito aceitava investimentos em dinheiro, transferências bancárias, joias e veículos, o que dificulta a estimativa do prejuízo total.
A polícia considera o caso o maior golpe financeiro já investigado no Piauí. Conforme o delegado responsável, entre cerca de 100 vítimas já ouvidas, há perdas individuais que variam entre R$ 200 mil e R$ 400 mil.
A coluna não localizou a defesa de Francisco. O espaço segue aberto.





