
Mirelle PinheiroColunas

Justiça manteve bolsonarista preso “por risco à ordem e à democracia”
O magistrado converteu a prisão em flagrante em preventiva, entendendo que a liberdade do acusado representaria risco à ordem pública
atualizado
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O juiz federal substituto Marcelo Gentil Monteiro decidiu, nesta quarta-feira (26/3), manter preso preventivamente o caminhoneiro Márcio Pinheiro Saldanha, acusado de invadir com violência um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em ação registrada como criminosa e politicamente motivada. A decisão ocorreu durante audiência de custódia realizada na 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal.
O magistrado converteu a prisão em flagrante em preventiva, entendendo que a liberdade do acusado representaria risco à ordem pública e poderia incentivar novos ataques a instituições estatais. Vídeos mostram os danos causados pela ação, além de depoimentos que confirmam a motivação política do réu, supostamente relacionada à tentativa de defender o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo manifestação do Ministério Público Federal (MPF), Márcio Saldanha teria declarado que praticou “ato terrorista” para se opor à prisão de Bolsonaro e “atingir a base da PRF”. A Procuradoria reforçou o pedido de prisão preventiva alegando que o crime foi cometido com “violência exacerbada”, colocando em risco a integridade física de agentes públicos e resultando em danos relevantes a bens da União.
Ainda que o réu tenha negado motivação política durante a audiência, o juiz entendeu que há provas suficientes da materialidade do crime e indícios de autoria. A decisão também autorizou o acesso ao conteúdo dos celulares apreendidos com o investigado, com o objetivo de identificar possíveis coautores.
Por sugestão da defesa, acolhida pelo MPF, o juiz também determinou a instauração de incidente de insanidade mental, para avaliar a saúde mental do réu por meio de perícia. Márcio será transferido para um presídio próximo à sua residência, em Guarulhos (SP), para possibilitar o apoio da família.
O caso ocorre no contexto do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, da Petição 12100, que analisa denúncias contra acusados de crimes contra o Estado Democrático de Direito. O juiz destacou que a prisão busca prevenir novos episódios semelhantes e assegurar o exercício regular dos poderes da República.








