Mirelle Pinheiro

Jogo do bicho: PF mira grupo ligado ao legado financeiro de Castor no Rio

Segundo apurou a coluna, os principais alvos da ação são integrantes da chamada família Coité

atualizado

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Foto colorida de policias federais e viatura - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de policias federais e viatura - Metrópoles - Foto: Divulgação/PF

A Operação Centelha, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (6/5), tem como foco um núcleo financeiro historicamente ligado ao jogo do bicho no Rio de Janeiro. Segundo apurou a coluna, os principais alvos da ação são integrantes da chamada família Coité, investigada por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

De acordo com fontes ligadas à investigação, o grupo alvo da operação não possui relação direta com o contraventor Rogério Andrade, atual nome forte da contravenção no estado.

A conexão da família investigada remonta ao período de influência de Castor de Andrade, considerado um dos maiores chefes do jogo do bicho da história do Rio.

As apurações indicam que, no passado, integrantes da família Coité teriam atuado na lavagem de recursos ligados à estrutura financeira de Castor, especialmente por meio de empresas e negócios usados para dar aparência legal ao dinheiro da contravenção.

Castor de Andrade morreu em 1997, mas segue sendo uma figura importante na história do jogo do bicho carioca. Patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel e do Bangu Atlético Clube, ele construiu um império ilegal que atravessou décadas e influenciou diferentes grupos econômicos e políticos na Zona Oeste do Rio.

Na operação desta quarta, a PF e o Gaeco do Ministério Público Federal miram justamente essa engrenagem financeira. Segundo os investigadores, os suspeitos teriam criado um grupo econômico estruturado com postos de combustíveis, lojas de conveniência e empresas patrimoniais registrados em nome de “laranjas”.

A suspeita é que os estabelecimentos fossem usados para movimentar e ocultar dinheiro oriundo da contravenção, além de praticar sonegação fiscal.

Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no Rio de Janeiro e em Mangaratiba.

A Justiça também autorizou o sequestro de imóveis, veículos de luxo, cotas empresariais e pelo menos 16 embarcações. Entre os alvos das medidas estão três policiais civis e um policial militar.

Segundo a PF, a estrutura investigada apresentava características típicas de organização criminosa, com divisão de funções, permanência e atuação coordenada para lavagem de capitais.

Os investigados poderão responder por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, sonegação fiscal e organização criminosa.

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