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Mirelle Pinheiro

Grupo que planejava atentado em Brasília pregava “revolução política”

Polícia afirma que investigados não se identificavam como direita ou esquerda e defendiam ruptura com o sistema político

04/08/2026 12:39, atualizado 04/08/2026 12:56
Luis Nova/Metropoles
Grupo que planejava atentado em Brasília pregava “revolução política”

Os oito investigados na Operação Rede Interrompida, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), não demonstravam vínculo com grupos políticos de direita ou de esquerda. Segundo a corporação, o discurso do grupo era voltado para uma suposta “revolução política” contra o sistema, ideia que aparecia de forma recorrente nas conversas monitoradas durante a investigação.

A informação foi divulgada nesta terça-feira (5/8) pelo chefe do Departamento de Inteligência da PCDF, delegado Maurílio Coelho (foto em destaque), durante coletiva sobre a operação que apura o planejamento de possíveis ações violentas em Brasília.

“Eles são contra o sistema político. Não se intitulam de esquerda nem de direita”, afirmou o delegado.

De acordo com a investigação, os integrantes se conheceram por meio de grupos na plataforma Telegram e passaram a compartilhar conteúdos de caráter extremista.

Nas conversas analisadas, a Polícia Civil identificou discussões sobre uma mobilização prevista para o período eleitoral de 2026, além do compartilhamento de mapas, plantas arquitetônicas de prédios públicos, modelos tridimensionais de edifícios localizados em Brasília e manuais para fabricação de artefatos explosivos.

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Segundo a corporação, o grupo também discutia recrutamento de participantes em diferentes estados, definição de datas e escolha de possíveis alvos. A Polícia Civil, entretanto, ressalta que a análise do material apreendido será fundamental para esclarecer qual era o estágio de desenvolvimento dos planos e quais ações efetivamente poderiam ser executadas.

As investigações também revelaram manifestações de misoginia entre os participantes. Conforme relatado pelo delegado Maurílio Coelho, um dos investigados escreveu em uma das conversas que “mulheres não podem ser delegadas, juízas ou promotoras porque só fazem besteira”. A PCDF informou que nenhuma autoridade foi citada nominalmente.

Outro aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi a diversidade do perfil dos suspeitos. Os oito alvos têm entre 19 e 31 anos, sendo a maioria na faixa dos 19 aos 25 anos. Entre eles há trabalhadores da iniciativa privada, desempregados e até um seminarista ligado a um mosteiro em Pernambuco.

A Operação Rede Interrompida cumpriu mandados nos estados de Pernambuco, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Durante as buscas, foram apreendidos celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos. Segundo a Polícia Civil, não foram encontradas armas nem artefatos explosivos.

Neste momento, o inquérito apura, em tese, os crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia ao crime ou criminoso e delitos previstos na legislação antirracismo.

A PCDF destacou que, até o momento, os fatos não foram enquadrados na Lei de Terrorismo, e que a responsabilização individual dependerá da perícia no material apreendido.