Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mirelle Pinheiro

Grupo é alvo do MPF por traficar paraguaias e explorá-las sexualmente no PR

Cinco pessoas foram denunciadas por explorar, ameaçar e até tentar matar mulheres em uma casa noturna de União da Vitória (PR)

03/09/2026 06:59
Reprodução/ NSC Total
imagem ilustrativa violencia contra a mulher nsc total - Metrópoles

Cinco pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa acusada de tráfico internacional de pessoas foram denunciadas, nessa quarta-feira (2/9), pelo Ministério Público Federal (MPF). O grupo teria utilizado uma casa noturna no município de União da Vitória (PR) para explorar sexualmente mulheres paraguaias, além de submetê-las a condições análogas à escravidão. A denúncia foi recebida pela Justiça Federal.

Segundo a denúncia, decorrente da Operação Labareda, as vítimas eram recrutadas no Paraguai por meio de falsas promessas de trabalho. Quando chegavam ao Brasil, eram submetidas à exploração sexual, ao controle por meio de dívidas, cobranças e restrições à liberdade.

Além disso, eram obrigadas a pagar multas abusivas por condutas como recusa de atendimentos, desorganização, discussões ou intenção de deixar o estabelecimento pouco tempo após o início das atividades.

As multas variavam entre R$ 500 e R$ 5 mil e eram anotadas em cadernos para controle dos criminosos. Segundo a denúncia, as penalidades tinham como objetivo dificultar a saída das vítimas da situação de exploração.

O caso é conduzido pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC) do MPF.

Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro

Incêndio criminoso e tentativa de homicídio

De acordo com as provas, após a fuga de uma das mulheres, a organização criminosa passou a agir com violência extrema contra vítimas e testemunhas.

Como parte das estratégias para intimidar e dificultar as investigações, os denunciados planejaram e executaram o sequestro de uma das vítimas, que conseguiu escapar ao se jogar do veículo em movimento em uma via pública. Além disso, passaram a enviar mensagens de teor intimidatório a familiares da mulher no exterior.

Segundo a denúncia, o grupo criminoso também provocou um incêndio em uma casa noturna enquanto duas testemunhas dormiam no local. De acordo com o MPF, o incêndio foi planejado previamente com a finalidade de provocar a morte das duas pessoas, que conseguiram escapar a tempo.

A denúncia foi apresentada com base em laudos periciais, análises telefônicas e registros de videomonitoramento.

Além dos crimes de tráfico internacional de pessoas e submissão de trabalhadores a condições análogas à de escravo, o MPF pede a condenação dos réus por organização criminosa transnacional armada, rufianismo, manutenção de casa de prostituição, sequestro, lesão corporal, roubo e tentativa de homicídio qualificado.

A denúncia também pede que os acusados sejam obrigados a reparar os danos materiais e morais causados às vítimas.

O caso tramita em sigilo para preservar a intimidade das vítimas.