
Mirelle PinheiroColunas

Fraudes virtuais: polícia mira grupo que burlava sistemas do governo
Nesta terça-feira (21/10), a Polícia Civil do MT cumpriu sete mandados de prisão e bloqueou R$ 5,9 milhões dos investigados
atualizado
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Um grupo criminoso dedicado à obtenção e comercialização de dados sensíveis e ferramentas para práticas de diferentes tipos de fraudes pela internet, disseminado em todo o país, foi alvo de uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso nesta terça-feira (21/10).
A ação faz parte da terceira fase da operação Código Seguro. As investigações, que levaram à identificação do grupo criminoso, foram iniciadas em 2023, após acessos indevidos a sistemas policiais, por meio de senhas vazadas. As fases anteriores da operação foram realizadas em julho e novembro de 2024.
Nesta terça (21), foram cumpridos 48 ordens judiciais expedidas pelo Núcleo de Justiça do Juiz de Garantias de Cuiabá com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI).
Dentre as ordens judiciais estão sete mandados de prisão, 15 de busca e apreensão, 15 de afastamento telemático, três retiradas de sites do ar, sete de canais do Telegram, uma de grupo no WhatsApp e sequestro de valores que somam mais de R$ 5,9 milhões.
Todos os mandados foram cumpridos fora do estado de Mato Grosso, tendo sido identificados alvos em nove estados do país, nas cidades de São Paulo (SP), Francisco Alves (PR), Fortaleza (CE), Riachão (MA), Cabo Frio (RJ), Jaraguá do Sul (SC), Lauro de Freitas e Apuarema (BA), Manaus (AM), Coronel Murta (MG).
As fraudes
Por meio do material apreendido nas primeiras fases da operação, a polícia identificou um dos eixos de atuação do grupo criminoso, que consistia na manipulação de informações veiculares por meio da aquisição de credenciais de acesso a sistemas governamentais restritos, com o objetivo de obter dados confidenciais de chassis, motores e placas de veículos.
O propósito da coleta indevida de dados era fazer com que veículos furtados ou roubados tivessem seus sinais identificadores adulterados para simular uma situação de regularidade, facilitando a reinserção no mercado.
Com o avanço das investigações, foi possível identificar que a rede criminosa também atuava em diversos tipos de fraudes e crimes cometidos por meios virtuais como clonagens de cartões de crédito, comércio de dados, operados por meio de sites ligados ao grupo, além de canais do Telegram e grupos no WhatsApp.
As apurações apontaram, ainda, o uso de plataformas de apostas esportivas e corretoras de criptomoedas como meios para reintroduzir os valores no mercado formal, simulando ganhos lícitos.
As atividades criminosas se estendiam a fraudes contra serviços específicos, como aplicativos de empresas de transporte e empresas de recarga de celular, onde cartões clonados ou gerados eram empregados para obter serviços de forma indevida.












