
Mirelle PinheiroColunas

Foragido, MC Negão exaltava golpes em músicas e divulgava bets. Veja vídeo
O grupo montou uma engrenagem financeira baseada no uso intensivo de fintechs e plataformas de apostas on-line (bets)
atualizado
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Alvo de uma megaoperação policial por envolvimento em golpes digitais em série, João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, teve letras de músicas e conteúdos publicados nas redes sociais incorporados às linhas de apuração que investigam a atuação de uma quadrilha responsável por lavar cerca de R$ 100 milhões obtidos com fraudes em todo o país.
A investigação aponta que o grupo montou uma engrenagem financeira baseada no uso intensivo de fintechs e plataformas de apostas on-line (bets) para ocultar e pulverizar o dinheiro de crimes como falso advogado, falsas decisões judiciais e fraudes contra beneficiários do INSS.
Após convencer vítimas a realizarem transferências, os valores eram rapidamente enviados para contas abertas em instituições digitais, muitas delas criadas com documentos de terceiros ou identidades falsas.
A facilidade de abertura de contas e a alta rotatividade eram exploradas para acelerar a circulação do dinheiro. Em poucos minutos, os recursos passavam por dezenas ou centenas de transações fracionadas, dificultando o rastreamento da origem e do destino final.
Paralelamente, empresas de fachada eram usadas para emitir notas fiscais frias e simular prestação de serviços, permitindo que valores oriundos das apostas e das fintechs fossem formalizados como receita empresarial, conferindo aparência de legalidade ao dinheiro ilícito.
Dentro desse contexto, investigadores chamaram atenção para letras de músicas do cantor que fazem referência direta a práticas criminosas, como cartões clonados e transferências via Pix. Em uma das canções, MC Negão canta: “Bonde do vapo dos cartão clonado que paga seu job e te come bandida. Faz pix no seu CPF”
