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Mirelle Pinheiro

Ex-secretário do Rio de Janeiro é preso por elo com CV

De acordo com as investigações, TH Jóias usava o mandato para intermediar negociações de drogas, fuzis e equipamentos antidrones

03/09/2025 08:58
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Reprodução/Redes sociais
Alessandro Pitombeira Carracena

A polícia prendeu nesta quarta-feira (3/9) o ex-secretário estadual e municipal do Rio de Janeiro Alessandro Pitombeira Carracena, alvo das operações Zargun e Bandeirantes, que desmantelam uma rede de corrupção e tráfico ligada ao Comando Vermelho (CV). Na mesma ação, foi preso o deputado estadual Tiego Raimundo dos Santos Silva (MDB), conhecido como TH Jóias, apontado como principal elo entre o parlamento e a facção.

De acordo com as investigações, TH Jóias usava o mandato para intermediar negociações de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, favorecendo diretamente o CV. O parlamentar foi detido em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca (RJ), reforçando a discrepância entre sua vida pública e os bastidores do crime.

Entre os alvos da operação também estão criminosos históricos da facção, como Gabriel Dias de Oliveira (Índio do Lixão), Luciano Martiniano da Silva (Pezão) e Edgar Alves de Andrade (Doca), além de assessores parlamentares e até a esposa de um traficante nomeada em cargo público por indicação do deputado.

Estrutura milionária

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-RJ) cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão em diversos estados. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou ainda o bloqueio de R$ 40 milhões em bens e valores, além do afastamento de agentes públicos e suspensão de empresas usadas no esquema.

As investigações apontam que a organização criminosa importava armas do Paraguai e equipamentos da China, revendendo inclusive para facções rivais, e infiltrava-se em órgãos públicos para garantir impunidade.

O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, classificou a operação como um divisor de águas. “Estamos diante de provas que revelam a infiltração direta do crime organizado no poder público. A mensagem é clara: não há blindagem política para criminosos, seja traficante armado no morro ou de terno na Assembleia”, afirmou.