
Mirelle PinheiroColunas

Estupro: secretária, chefe do pai de suspeito, faz nota e é desmentida
Conforme a coluna apurou, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, é filho de José Carlos Costa Simonin
atualizado
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Após a revelação de que um dos jovem envolvidos no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, no Rio de Janeiro, é filho do subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do Estado, a chefe da pasta, secretária Rosangela Gomes, usou as redes sociais para se pronunciar.
Conforme a coluna apurou, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, é filho de José Carlos Costa Simonin.
“Tomei conhecimento das graves denúncias envolvendo o filho do subsecretário Simonin. Recebo essas informações com profunda indignação e tristeza. Minha trajetória de vida e minha gestão são pautadas, acima de tudo, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres e pelo combate a todo tipo de violência.”
A secretária reforça que “jamais compactuaria com qualquer ato que fira a dignidade feminina ou a integridade de nossas jovens.”
A chefe da pasta também alegou que “através do Governo do Estado do RJ, a Secretaria da Mulher já está prestando todo apoio jurídico e psicológico à adolescente e sua família. Deixo aqui minha total solidariedade a esta jovem de 17 anos e à sua família.”
Parte da declaração, no entanto, foi rebatida pela defesa da vítima. “Secretária, sou advogado da adolescente e de sua família e, infelizmente, até o momento não foi oferecido absolutamente nenhum apoio jurídico ou psicológico a elas. Também não houve qualquer contato por parte da Secretaria”, disse o advogado Rodrigo Mondego.
O crime
Segundo a PCERJ, a vítima relatou que foi convidada por mensagem para ir ao apartamento de um amigo, em Copacabana, no dia 31 de janeiro. Ao chegar ao prédio, o suspeito menor de 18 anos insinuou que fariam “algo diferente”, o que foi prontamente recusado pela adolescente.
Ela foi trancada em um quarto com os acusados, onde foi agredida e estuprada.
Os suspeitos responderão pelo crime de estupro. O menor de idade responderá por ato infracional análogo ao mesmo crime.
O delegado Ângelo Lajes, da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), responsável pela investigação, informou que o crime foi uma “emboscada planejada” e que os envolvidos podem ser condenados a quase 20 anos de prisão.
Disque denúncia
O Disque Denúncia do Rio de Janeiro divulgou fotos dos suspeitos, que seguem foragidos, e pediu auxílio da população com informações que possam levar à localização dos acusados.
A denúncia pode ser feita pelo número de telefone: (21) 2253-1177, por ligação ou WhatsApp; ou por meio do site procurados.org.br.
Colégio afasta suspeitos
Dos cinco acusados pelo crime, dois são alunos do Colégio Pedro II – Vitor Hugo Oliveira Simonin e o menor de idade. Os dois foram afastados da instituição e foi iniciado o processo de desligamento de ambos. Segundo o colégio, a Procuradoria Federal orienta o processo de desligamento.
O colégio, em nota, repudiou o caso dizendo que “todos estão indignados com o ocorrido” e que “procedeu com todas as ações necessárias, incluindo acolhimento à família da vítima”.
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Jogador de futebol teve contrato suspenso
O acusado João Gabriel Xavier Bertho é jogador de futebol do clube Serrano Football Club, da cidade de Petrópolis. Ele teve o contrato suspenso e foi afastado do Serrano.
“Estamos acompanhando de perto o desenrolar do caso e os desdobramentos da investigação. Entendemos a gravidade da situação e reforçamos que o clube repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência”, diz a nota do clube.

O Serrano FC informa que tomou conhecimento do indiciamento do atleta João Gabriel Xavier Bertho em investigação da Polícia Civil.
O atleta está afastado e seu contrato suspenso. Estamos acompanhando de perto o desenrolar do caso e os desdobramentos da investigação. pic.twitter.com/RNcjAH2KAl
— Serrano Football Club (@serranofc_rj) March 1, 2026
Em nota, a defesa de João Gabriel Xavier Bertho nega o estupro. “A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos”, declarou.










