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Mirelle Pinheiro

Escudos humanos: investigação expõe domínio do CV sobre moradores

Provas reunidas ao longo de meses detalham como o CV transformou a região da Zona Norte em um território sob controle armado

atualizado

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Tercio Teixeira/Metrópoles
Mortos na operação no Complexo da Penha - Metrópoles
1 de 1 Mortos na operação no Complexo da Penha - Metrópoles - Foto: Tercio Teixeira/Metrópoles

Antes de a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão resultar na ação policial mais letal da história do país, investigadores já descreviam uma engrenagem criminosa que se fortalecia longe dos olhos do Estado.

Provas reunidas ao longo de meses detalham como o Comando Vermelho (CV) transformou a região da Zona Norte em um território sob controle armado permanente, onde cada rotina cotidiana, da abertura de um comércio até o horário das aulas, podia ser interrompida por determinação do tráfico.

A apuração conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com autorização judicial, mostrou que a facção escolheu estabelecer pontos de vigilância armada ao redor de escolas. A estratégia, segundo autoridades, tinha dupla finalidade: proteger rotas de fuga em incursões e ativar a pressão social quando confrontos policiais se aproximavam.

Nos dias mais tensos, bastava um disparo para que pais desesperados começassem a publicar vídeos de crianças abrigadas sob carteiras. Esse impacto imediato nas redes funcionava como barreira psicológica para a entrada das forças de segurança, uma forma de impedir ou retardar operações.

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Entenda o que é GLO, discutido após operação policial no RJ
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Fuzis apreendidos em megaoperação no Rio de Janeiro
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Operação contra traficantes do CV no Complexo da Penha deixou 121 mortos
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Operação contra traficantes do CV no Complexo da Penha deixou 121 mortos

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Fuzis apreendidos em megaoperação no Rio de Janeiro
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Cerca de 2.500 agentes das policias civil e militar participaram da ação
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Cerca de 2.500 agentes das policias civil e militar participaram da ação

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Megaoperação no Rio de Janeiro
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Policiais durante megaoperação contra o crime organizado no Rio de Janeiro
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Policiais durante megaoperação contra o crime organizado no Rio de Janeiro

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Policiais durante megaoperação no Rio de Janeiro
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Policiais durante megaoperação no Rio de Janeiro

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Imagens da megaoperação no Rio de Janeiro
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Imagens da megaoperação no Rio de Janeiro

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Megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha
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Megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha

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Barreiras humanas e dominação social

A investigação revela que o domínio da facção sobre os moradores ia muito além do medo invisível. As ordens eram transmitidas em grupos de mensagem, e soldados vigiavam com fuzis em punho o movimento de quem entrava ou saía dos becos.

Qualquer desobediência poderia transformar um cidadão comum em alvo. Há registros de moradores que desapareceramapós contrariar regras impostas pelo crime. E quando punições eram aplicadas, faziam questão de transmitir e divulgar os castigos, como forma de reafirmar quem tinha o poder.

O objetivo era claro, reduzir a população a escudo natural, garantindo que qualquer ação policial carregasse alto risco para inocentes.

Lideranças refugiadas e treinamento em área escolar

Como consequência desse domínio, a Penha passou a abrigar traficantes e chefes do CV vindos de outros estados, que encontravam ali proteção e estrutura.

Vídeos anexados à investigação mostram integrantes da facção treinando com fuzis em áreas próximas a ambientes escolares.

Segundo os investigadores, o traficante Juan Breno Ramos, o BMW, orientava jovens em instruções de tiro no alto do morro. No mesmo território onde, horas depois, milhares de crianças passariam para ir às aulas.

Doca e o poder pelo terror

No topo da hierarquia fluminense, Edgar Alves de Andrade, o Doca, exercia comando direto das ações no conjunto de favelas. Ele determinava quem seria punido, onde seriam posicionadas armas, como seria a resposta a rivais e à polícia.

A facção organizava plantões armados e rotas de fuga que cruzavam becos e vielas próximas às unidades escolares. Na prática, transformaram o cotidiano de estudantes em linha de combate.

A operação de terça-feira (28/10), batizada de Contenção, tinha como principal alvo essa estrutura criminosa. Mais de 60 mandados de prisão foram expedidos, incluindo líderes do alto comando que ainda estão foragidos.

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