Mirelle Pinheiro

Escolinha do crime: “Rei do Benefício” dava aula de como fraudar INSS

O homem é um dos principais investigados na operação Fraus, da PF. Ele ensinava aos demais membros como realizar as fraudes

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Fachada do INSS, Previdência Social em Brasília - Metrópoles
1 de 1 Fachada do INSS, Previdência Social em Brasília - Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O homem apontado pela Polícia Federal (PF) como sendo o mentor do esquema que causou  prejuízo de R$ 30 milhões aos cofres públicos, a partir de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ensinava a outros criminosos as artimanhas usadas para aplicar os golpes. Ele é conhecido pelos codinomes de “Professor” e “Rei do Benefício”.

Segundo a investigação da PF, Professor é um dos principais investigados no âmbito da operação Fraus, deflagrada na manhã desta quinta-feira (17/7). O grupo atuava nas fraudes há mais de uma década.

Escolinha do crime

A apuração da PF identificou o homem como sendo o “cérebro” por trás do esquema que utilizava uma sofisticada estrutura para burlar a concessão de Benefícios de Prestação Continuada (BPC/LOAS).

Além de articular as fraudes, o Rei do Benefício ensinava aos demais membros como realizar as fraudes e coordenava a dinâmica criminosa.

A quadrilha era formada por uma estrutura complexa e altamente organizada, que envolvia gerentes bancários, servidores públicos, profissionais gráficos e correspondentes bancários.

Esses integrantes usavam acessos a plataformas restritas para obter dados de terceiros e viabilizar a abertura de requerimentos fraudulentos.

O grupo apresentava grande facilidade de acesso e manipulação da plataforma Meu INSS, essencial para cadastrar e tramitar os pedidos de benefícios. Com isso, chegaram a formalizar 415 requerimentos fraudulentos apenas no período de seis meses analisado, gerando um prejuízo de R$ 1,6 milhão.

A PF constatou que o volume de pedidos era tão grande que o grupo não conseguia sequer abrir todas as contas bancárias vinculadas aos benefícios, o que por vezes resultava na suspensão dos pagamentos por falta de saque.

Os gerentes bancários cooptados cobravam cerca de R$ 500 por cada conta aberta, enquanto os benefícios concedidos eram revendidos por aproximadamente R$ 2.500, quando não permaneciam na posse do próprio grupo.

A investigação teve início após um relatório do Núcleo Regional de Inteligência Previdenciária e Trabalhista no Estado do Rio de Janeiro, vinculado à Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP), órgão do Ministério da Previdência Social. O documento indicava irregularidades em benefícios concedidos e mantidos na Agência da Previdência Social de Arraial do Cabo (RJ).

Operação

A ação deflagrada nesta quinta (17) mobilizou agentes federais para o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro (3), Armação dos Búzios (2), Cabo Frio, São Gonçalo e Casimiro de Abreu.

As ordens judiciais foram expedidas pela 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato previdenciário, corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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