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Mirelle Pinheiro

Entenda como funcionava o esquema de R$ 7 bilhões envolvendo Márcio Canella

Operação Unha e Carne investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o CV

15/10/2026 12:33
Reprodução/Redes sociais
marcio canella

Preso nesta quinta-feira (15/10), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito pelo Rio de Janeiro (RJ) Márcio Canella (foto em destaque), do União Brasil, é apontado como o patrono e articulador político de uma organização criminosa que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. A função atribuída a ele aparece em um organograma elaborado pela Polícia Federal (PF) e enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação.

O documento detalha a divisão de tarefas entre os investigados e aponta a atuação de agentes públicos, operadores financeiros e pessoas ligadas a uma rede de postos de combustíveis. O delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), também foi preso nesta quinta-feira.

Segundo a decisão, Canella teria articulado a indicação de Amim para a presidência do Detran-RJ e para a Secretaria de Polícia Civil. Para isso, teria atuado em uma manobra legislativa na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para flexibilizar os requisitos exigidos para o cargo.

Reprodução
Organograma detalha funções de alvos investigado em Operação Unha e Carne

Como funciona o esquema

O organograma divide a organização em núcleos político, econômico-financeiro e de controle territorial. Entenda:

  • Marcus Amim: é apontado como integrante do núcleo institucional, que teria facilitado a proteção de atividades econômicas ilícitas;
  • Pablo Russo: policial civil apontado como responsável pela gestão de fato da rede de postos de combustíveis;
  • Luana Oliveira e Luisi Pinho: seriam responsáveis formais por empresas ligadas a mais de 20 postos, usados, segundo a investigação, para ocultar a origem do dinheiro;
  • ADM OIL: empresa apontada como peça central na movimentação dos recursos;
  • Fernanda Rangel e Andreia Santos: funcionárias da ADM OIL que teriam movimentado juntas mais de R$ 308 milhões em espécie entre 2020 e 2026, por meio de depósitos bancários fracionados;
  • Hugo Canelão: apontado como próximo de Canella, atuaria na administração dos postos de combustíveis e na articulação política e eleitoral em São Gonçalo (RJ);
  • Juracy Alves Prudêncio, o Jura: miliciano condenado, é apontado como responsável pelo suporte armado e pela coerção territorial.

A investigação também cita possíveis acordos com o Comando Vermelho (CV) para a retirada de barricadas em troca do recuo de ações policiais, com possíveis benefícios eleitorais.

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Oitava fase

A operação começou em dezembro de 2025 para investigar suspeitas de vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o CV. Com o avanço das apurações, a PF ampliou o foco para uma possível rede de proteção ao crime organizado.

Nesta quinta-feira, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas à rede investigada, incluindo 96 postos de combustíveis.

Durante a 5ª fase da operação, a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por suposta ligação com a chamada Máfia do Cigarro.

Na mesma etapa, a Justiça também decretou a prisão do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio, e do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estava preso.

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro e corrupção. As suspeitas ainda são objeto de investigação.