Mirelle Pinheiro

Entenda como ex-PM morto estruturou fraude milionária no CNU

O esquema funcionava como uma empresa de fachada, com divisão clara de tarefas entre irmãos, filho e sobrinha

atualizado

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ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa
1 de 1 ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa - Foto: Reprodução

A morte do ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, ocorrida nesta terça-feira (16/12), em um hospital de Patos, na Paraíba, encerrou a trajetória de um dos principais nomes já investigados pela Polícia Federal em fraudes a concursos públicos no país.

Segundo a PF, ele comandava uma organização criminosa estruturada a partir de laços familiares que transformou aprovações em certames federais, incluindo o Concurso Nacional Unificado (CNU), em um negócio milionário.

As investigações apontam que o esquema funcionava como uma empresa de fachada, com divisão clara de tarefas entre irmãos, filho e sobrinha.

A confiança entre eles foi usada como mecanismo de blindagem, reduzia riscos de delação, facilitava a circulação de informações sigilosas e permitia o controle rígido do fluxo financeiro.

No centro da organização estava Wanderlan, ex-PM com extensa ficha criminal, que incluía acusações por homicídio, roubo majorado, peculato, concussão, abuso de autoridade e uso de documento falso.

Mesmo assim, ele conseguiu ser aprovado em concursos de alto prestígio, como o do Banco do Brasil e, mais recentemente, no CNU de 2024, para o cargo de auditor fiscal do trabalho, função com salário inicial superior a R$ 22 mil.

Núcleo familiar e divisão de funções

De acordo com o inquérito, o núcleo duro da quadrilha era formado por Wanderlan, os irmãos Valmir Limeira de Souza e Antônio Limeira das Neves, o filho Wanderson Gabriel de Brito Limeira e a sobrinha Larissa de Oliveira Neves.

Cada integrante exercia um papel específico, que ia desde o recrutamento de candidatos até o repasse de gabaritos e a lavagem do dinheiro obtido com as fraudes.

A sobrinha Larissa chamou atenção dos investigadores ao optar por realizar a prova do CNU em Patos (PB), apesar de morar em São Paulo. A escolha levantou suspeitas porque o concurso não era regionalizado, o candidato podia prestar o exame em qualquer local do país, sem impacto na classificação.

Outro nome que aparece no inquérito é o do irmão Antônio, agente penitenciário em São Paulo, identificado como inscrito no concurso da Polícia Federal de 2025.

Para a PF, a inscrição indica que o grupo pretendia ampliar sua influência e infiltrar integrantes em órgãos estratégicos do Estado.

Gabaritos idênticos e coincidências impossíveis

Um dos pontos mais contundentes da investigação é a coincidência absoluta entre acertos e erros nos gabaritos de Wanderlan, Valmir e Larissa em provas distintas. Especialistas consultados pela PF consideraram o padrão estatisticamente impossível de ocorrer por acaso.

Além do CNU, há indícios de que o grupo tenha fraudado ou tentado fraudar concursos da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Universidade Federal da Paraíba e Polícias Civis de Pernambuco e Alagoas. Em alguns casos, o próprio Wanderlan figurava como aprovado.

Outro personagem citado é Ariosvaldo Lucena de Sousa Junior, policial militar no Rio Grande do Norte e proprietário de uma clínica odontológica em Patos.

Segundo a investigação, o estabelecimento teria sido usado como fachada para lavar dinheiro obtido com a venda de aprovações fraudulentas.

Fraudes em série e prejuízo ao Estado

A PF trabalha com a hipótese de que os “clientes” do esquema pagavam valores elevados para garantir aprovação em concursos de alto nível.

Cada vaga fraudada, segundo os investigadores, pode gerar prejuízo de milhões de reais ao longo de décadas de serviço público, além do risco institucional de colocar pessoas sem qualificação técnica em cargos estratégicos da administração pública.

Mesmo após a prisão do filho Wanderson, em 2024, durante investigação sobre fraude no concurso da Polícia Militar da Paraíba, Wanderlan teria continuado atuando.

Interceptações telefônicas mostram discussões sobre como dificultar o avanço das apurações e até tentativas de atribuir a responsabilidade do esquema a terceiros, incluindo um criminoso já morto.

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