Mirelle Pinheiro

Diamond King: ostentação colocou sobrinho de ex-governador na mira da PF

Documentos da apuração apontam contraste entre o padrão de vida ostentado por investigados nas redes sociais e a ausência de empregos

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/ Polícia Militar
Imagem colorida de dinheiro apreendido em operação. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de dinheiro apreendido em operação. Metrópoles - Foto: Divulgação/ Polícia Militar

Carrões, viagens, publicações exibindo luxo e movimentações milionárias sem lastro econômico claro. Esses são alguns dos elementos analisados pela Polícia Federal (PF) na investigação que apura suposto esquema de contrabando de diamantes e lavagem de dinheiro em Roraima.

Documentos das diligências policiais apontam contraste entre o padrão de vida ostentado por investigados nas redes sociais e a ausência de vínculos empregatícios formais ou fontes de renda compatíveis com o patrimônio apresentado.

Entre os principais alvos, está o empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho do ex-governador de Roraima Antônio Denarium.

Segundo os investigadores, Fabrício mantinha nas redes sociais publicações que exibiam rotina de alto padrão, veículos de luxo, viagens e conexões com pessoas influentes da região.

Em uma das postagens analisadas pela PF, o ex-governador chama o sobrinho de “the diamond king”, expressão em inglês que significa “rei do diamante”. A publicação acabou incorporada ao inquérito como elemento contextual das investigações.

Sem emprego formal

Apesar da ostentação, a Polícia Federal afirma que Fabrício não possuía vínculos empregatícios formais identificados nos levantamentos preliminares.

Outro investigado citado no inquérito, Zaqueu Pavão Barros, também não apresentaria registros formais de atividade profissional compatíveis com o padrão financeiro observado pela apuração policial.

As inconsistências chamaram a atenção especialmente após a análise de movimentações bancárias consideradas atípicas.

Segundo a PF, uma empresa ligada a Fabrício movimentou milhões de reais mesmo sem possuir funcionários registrados, veículos ou estrutura operacional aparente.

Patrimônio incompatível

Os investigadores também identificaram indícios de possível utilização de “laranjas” para ocultação patrimonial.

Um dos exemplos citados no inquérito envolve Valdete Ribeiro da Silva, técnica de enfermagem vinculada à Secretaria de Saúde de Roraima.

Segundo a PF, os vencimentos declarados seriam incompatíveis com o patrimônio registrado em nome dela, incluindo veículos de alto valor.

Fluxo milionário

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações consideradas suspeitas envolvendo empresas e pessoas ligadas ao esquema investigado.

Segundo os documentos, houve circulação pulverizada de recursos, saques elevados em espécie e transferências sem justificativa econômica clara.

 

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