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Eleições 2026Mirelle Pinheiro

Deputado é alvo de operação após 22 pessoas serem presas por comprar votos.

Investigadores da PF cumpriram um mandado de busca e apreensão contra Marcinho Belota, deputado estadual de Roraima e candidato à reeleição

03/10/2026 12:06, atualizado 03/10/2026 12:40
Divulgação/ALE-RR
Deputado é alvo de operação após 22 pessoas serem presas por comprar votos

A coluna apurou que o deputado estadual Marcinho Belota (PL) (foto em destaque), candidato à reeleição, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na noite dessa sexta-feira (2/10). A ação é um desdobramento da prisão em flagrante, na quinta (1°/10), de 22 pessoas suspeitas de integrar um esquema de compra de votos.

Belota foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Na residência dele, os investigadores apreenderam um notebook, documentos e cerca de R$ 6 mil em espécie. Os policiais teriam entrado à força no imóvel, uma vez que o deputado não estava no local para recebê-los.

Ao defender a busca e apreensão, a PF afirmou que a medida seria necessária para preservar elementos probatórios ainda existentes, impedir sua destruição ou ocultação e permitir o aprofundamento da investigação, especialmente por se tratar de um momento sensível do calendário eleitoral.

“PF invadiu nossa casa”

Em um vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais, Belota, que atua na proteção de animais, apareceu segurando um gato sem vida. Ele afirmou que a PF “invadiu” sua casa no momento em que ele não estava e que os investigadores teriam ameaçado atirar nos bichos.

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“Eu não estava no local, fui fazer uma agenda rápida em Caracaraí, quando eu recebi a notícia de que eles estavam na frente da nossa casa. Segundo testemunhas, eles afirmaram que, caso fosse necessário, iriam atirar nos animais.”

O deputado afirmou que respeita o trabalho da PF, mas relatou que explicou que os animais ficam separados em três partes diferentes e que tudo que pediu foi que tivessem cuidado com os animais, que descreve como filhos. Ele denunciou que encontrou a gata Sherry morta ao voltar para a residência. Segundo ele, os animais teriam sido deixados juntos após a saída dos policiais.

Ele ainda disse que os R$ 6 mil apreendidos em sua casa são declarados e correspondem ao troco do projeto Café com Aumor, inaugurado com apoio de Marcinho Belota, para custear o resgate de animais.

Esquema de compra e venda de votos

A operação que prendeu 22 pessoas em 1º de outubro foi deflagrada após uma denúncia de que estaria ocorrendo pagamento de valores a eleitores relacionados às candidaturas de Marcinho Belota e do candidato a deputado federal Daniel Pedreiro da Trindade (PL), preso em 25 de setembro durante a Operação Cunhambebe.

Segundo as informações recebidas pela PF, o pagamento da chamada “boca de urna” estaria sendo realizado em um imóvel localizado no bairro Calungá, em Boa Vista (RR).

De acordo com a investigação, dois homens, identificados como Thyago de Souza Franco e Arthur Henrik Flessak Gomes, abordavam individualmente as pessoas presentes e perguntavam em quem elas votariam para os cargos de deputado estadual e deputado federal. Após a confirmação dos nomes dos candidatos, eles entregavam R$ 400, sendo R$ 200 atribuídos a Marcinho Belota e R$ 200 a Daniel Pedreiro da Trindade.

Segundo a PF, os elementos colhidos indicam que Thyago atuava diretamente na logística, no recebimento, transporte, fracionamento e entrega do dinheiro aos eleitores. Ele afirmou ter recebido aproximadamente R$ 19 mil em espécie para realizar os repasses e ter participado da distribuição de cerca de R$ 12 mil no imóvel, onde estavam reunidos aproximadamente 30 eleitores.

Ainda segundo a investigação, a atuação de Arthur não se limitava à condução do veículo. Em depoimento, ele afirmou que sabia, desde o início, que transportava dinheiro destinado à compra de votos.

Também declarou ter acompanhado Thyago durante a rota de distribuição, entrado nos imóveis onde ocorriam as entregas e presenciado o repasse do dinheiro aos eleitores.

Deputado é alvo de operação após 22 pessoas serem presas por comprar votos