Mirelle Pinheiro

De motorista a milionário: quem é o deputado preso pela PF por fraude

Dados declarados à Justiça Eleitoral mostram que o patrimônio do parlamentar teve um salto expressivo em um curto intervalo de tempo

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução
Deputado Thiago Rangel
1 de 1 Deputado Thiago Rangel - Foto: Reprodução

Preso pela Polícia Federal (pf) na manhã desta terça-feira (5/5), o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) é alvo de uma investigação que mistura política, contratos públicos e uma evolução patrimonial que chama a atenção.

Alvo da 4ª fase da Operação Unha e Carne, que apura fraudes na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, Rangel já vinha sendo monitorado por autoridades e acumula episódios que agora voltam ao radar dos investigadores.

Dados declarados à Justiça Eleitoral mostram que o patrimônio do parlamentar teve um salto expressivo em um curto intervalo de tempo.

Em 2020, quando se elegeu vereador em Campos dos Goytacazes, ele declarou possuir cerca de R$ 224 mil em bens, incluindo dois veículos, participação em um posto de combustíveis e uma moto aquática.

Dois anos depois, ao disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio, informou ter um patrimônio de R$ 1,9 milhão, com destaque para a participação em 18 postos de combustíveis. O crescimento representa uma evolução de aproximadamente 700%.

Natural de Guarus, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Thiago Rangel tem 39 anos e se apresenta como empresário do setor varejista.

Antes de ingressar na política, segundo dados das investigações, chegou a trabalhar como motorista, com renda em torno de R$ 1 mil em 2014.

A carreira política começou em 2020, com a eleição para vereador. Durante o mandato, ganhou visibilidade ao participar da criação do programa social Cartão Goitacá.

Em 2022, foi eleito deputado estadual com pouco mais de 31 mil votos.

Rangel também construiu base familiar na política. Ele é pai da vereadora Thamires Rangel (PMB), eleita em 2024 aos 18 anos, tornando-se uma das mais jovens do país naquele pleito.

Ela chegou a ocupar um cargo no governo estadual, mas foi exonerada no mesmo dia da operação que levou à prisão do pai.

Não é a primeira vez que o nome do parlamentar aparece em apurações da Polícia Federal.

Em 2024, ele foi alvo da Operação Postos de Midas, que investigava um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis em Campos dos Goytacazes.

À época, a PF apontou indícios de uso desses estabelecimentos para ocultar recursos provenientes de contratos públicos com suspeita de sobrepreço. Rangel negou irregularidades.

Na investigação atual, a PF apura um esquema de direcionamento de contratos dentro da rede estadual de ensino.

Segundo os investigadores, empresas ligadas ao grupo eram favorecidas em contratações para fornecimento de materiais e execução de obras em escolas, especialmente em regiões consideradas área de influência política do deputado.

O dinheiro público, ainda de acordo com a apuração, passava por um circuito de saques e transferências até retornar ao grupo por meio de empresas e negócios ligados aos investigados.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?