
Mirelle PinheiroColunas

Com atuação de advogada, CV tem “arrecadação diária” de R$ 19 mil
Entre os alvos da operação, estão a esposa de uma liderança do CV, que assumiu o comércio de drogas após seu marido ser preso
atualizado
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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (2/7), a terceira fase da Operação Unfollow, para cumprimento de mais de 30 ordens judiciais contra uma facção criminosa envolvida nos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, extorsão e homicídios no município de Sorriso e região. Os investigados são faccionados do Comando Vermelho (CV).
Entre as ordens judiciais, estão sete mandados de prisão temporária, 10 de busca e apreensão domiciliar, 10 afastamentos de sigilos telemáticos, quatro afastamentos de sigilos bancários, além do isolamento, por seis meses, de um líder da facção criminosa de Sorriso no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) da Penitenciária Central do Estado (PCE), que possui maior grau de isolamento e restrições.
Os mandados são cumpridos nas cidades de Sorriso, Várzea Grande e Cuiabá e contam com o apoio das equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Polícia de Sinop.
Segundo a Polícia Civil, a terceira fase da operação foi deflagrada em decorrência da continuidade das investigações da Delegacia de Polícia de Sorriso e análises de materiais apreendidos na primeira fase, que revelaram uma cadeia criminosa complexa, com hierarquia definida e funções diversas atribuídas a cada um dos envolvidos.
“Entre os alvos desta fase, estão a esposa de uma liderança da facção, que assumiu o comércio de drogas em Sorriso, após seu marido ter sido preso pela Polícia Civil no ano de 2023, e uma advogada que atuava para o grupo criminoso, sendo também alvo das buscas uma empresa de fachada de sua propriedade”, informou a polícia por meio de nota.
As investigações revelaram a participação de lideranças da facção, que, mesmo custodiadas na Penitenciária Central do Estado (PCE), continuavam a coordenar atividades criminosas como tráfico de drogas, cobranças de extorsão e ordens de execução.
Ainda de acordo com as investigações, a facção criminosa possuía, inclusive, metas de arrecadação diária, estimando faturamento superior a R$ 19 mil por dia apenas com o tráfico de drogas.
Entre os métodos utilizados para lavar dinheiro, destacam-se empresas fictícias, como a de propriedade da advogada, alvo da investigação.
Fases anteriores
A primeira fase da operação foi deflagrada em fevereiro deste ano, ocasião em que foram cumpridas seis ordens judiciais, sendo um mandado de prisão e cinco de busca e apreensão, contra um influenciador digital, identificado como integrante de facção criminosa e que utilizava redes sociais para cometer e promover a prática de diversos crimes.
Em maio, a segunda fase da operação resultou na prisão de outros três jovens suspeitos de integrar uma facção criminosa, tráfico de drogas e associação ao tráfico.
A polícia informou que a operação segue em curso com a análise de novos materiais apreendidos e a identificação de outros envolvidos.
