Caso Sophia: pai é condenado por feminicídio da filha de 4 anos
Sophia Kissajikian Cancio Najjar morreu, em dezembro de 2015, asfixiada com um saco plástico dentro do apartamento do pai

Ricardo Krause Esteves Najjar foi condenado pela Justiça de São Paulo, na noite dessa sexta-feira (14/8), a 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão pelo crime de feminicídio contra a filha, de quatro anos. Sophia Kissajikian Cancio Najjar (foto em destaque) morreu, em dezembro de 2015, asfixiada com um saco plástico dentro do apartamento do pai.
À época, Ricardo afirmou que a menina teria se sufocado acidentalmente. O caso ganhou repercussão nacional.
Este foi o terceiro julgamento do processo. O primeiro foi anulado por causa de uma contradição na votação dos quesitos pelos jurados. O segundo, por sua vez, foi anulado por ter sido considerado uma decisão manifestamente contrária à prova dos autos.
No segundo julgamento, houve desclassificação do crime para homicídio culposo, com extinção da punibilidade pela prescrição. O Ministério Público recorreu da decisão, sustentando que ela era manifestamente contrária às provas técnicas dos autos, especialmente ao laudo necroscópico, que apontou lesões incompatíveis com acidente ou asfixia acidental e indicou ação humana dolosa.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroConsta dos autos que o réu e a mãe da vítima mantiveram um relacionamento conturbado, que terminou pouco tempo depois do nascimento da criança. Após a separação, ele passou a visitar a filha regularmente. Na data dos fatos, o acusado buscou a menina na escola e a levou para sua casa. Ele alegou que, após sair do banho, encontrou a filha caída no chão, sufocada por um saco plástico na cabeça e com machucados por todo o corpo.
O Conselho de Sentença reconheceu a autoria e a materialidade do crime, bem como as qualificadoras do meio cruel e do recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Também reconheceu a causa de aumento de pena pelo fato de a menina ser menor de 14 anos.
A juíza Melanie Liesenberg, que presidiu o julgamento, destacou que o acusado negou os fatos durante todo o processo, mas que as circunstâncias do crime se mostraram desfavoráveis a ele. A magistrada também considerou a agravante de o crime ter sido praticado contra descendente.
“A agravante sanciona a violação do dever de assistência, proteção e apoio mútuo inerente à relação entre pais e filhos, revelando maior insensibilidade moral do agente”, observou.
Relembre o caso
O auxiliar administrativo Ricardo Najjar foi acusado de matar a filha, Sophia, de 4 anos, por asfixia, em dezembro de 2015.
Ela foi encontrada morta com um saco plástico na cabeça em 2 de dezembro, no apartamento do pai, na zona sul de São Paulo.
Inicialmente, havia suspeita de que a criança tivesse se sufocado acidentalmente. Laudos do Instituto Médico Legal (IML), porém, apontaram que ela foi vítima de agressões e descartaram abuso sexual.
Segundo os exames, Sophia morreu por asfixia provocada por esganadura, teve o tímpano esquerdo rompido, sofreu edema cerebral e apresentava 21 hematomas espalhados pelo corpo.
Em depoimento, Ricardo Krause afirmou que encontrou a menina caída depois de sair do banho. Segundo ele, colocou a criança sobre a cama e só então tentou retirar o saco que a sufocava. Ao perceber que havia sangramento no rosto de Sophia, teria ligado para pedir socorro.





