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Mirelle Pinheiro

Caso Sophia: pai é condenado por feminicídio da filha de 4 anos

Sophia Kissajikian Cancio Najjar morreu, em dezembro de 2015, asfixiada com um saco plástico dentro do apartamento do pai

15/08/2026 16:59, atualizado 15/08/2026 17:04
Reprodução/Web
Caso Sophia: pai é condenado por feminicídio da filha de 4 anos

Ricardo Krause Esteves Najjar foi condenado pela Justiça de São Paulo, na noite dessa sexta-feira (14/8), a 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão pelo crime de feminicídio contra a filha, de quatro anos. Sophia Kissajikian Cancio Najjar (foto em destaque) morreu, em dezembro de 2015, asfixiada com um saco plástico dentro do apartamento do pai.

À época, Ricardo afirmou que a menina teria se sufocado acidentalmente. O caso ganhou repercussão nacional.

Este foi o terceiro julgamento do processo. O primeiro foi anulado por causa de uma contradição na votação dos quesitos pelos jurados. O segundo, por sua vez, foi anulado por ter sido considerado uma decisão manifestamente contrária à prova dos autos.

No segundo julgamento, houve desclassificação do crime para homicídio culposo, com extinção da punibilidade pela prescrição. O Ministério Público recorreu da decisão, sustentando que ela era manifestamente contrária às provas técnicas dos autos, especialmente ao laudo necroscópico, que apontou lesões incompatíveis com acidente ou asfixia acidental e indicou ação humana dolosa.

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Consta dos autos que o réu e a mãe da vítima mantiveram um relacionamento conturbado, que terminou pouco tempo depois do nascimento da criança. Após a separação, ele passou a visitar a filha regularmente. Na data dos fatos, o acusado buscou a menina na escola e a levou para sua casa. Ele alegou que, após sair do banho, encontrou a filha caída no chão, sufocada por um saco plástico na cabeça e com machucados por todo o corpo.

O Conselho de Sentença reconheceu a autoria e a materialidade do crime, bem como as qualificadoras do meio cruel e do recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Também reconheceu a causa de aumento de pena pelo fato de a menina ser menor de 14 anos.

A juíza Melanie Liesenberg, que presidiu o julgamento, destacou que o acusado negou os fatos durante todo o processo, mas que as circunstâncias do crime se mostraram desfavoráveis a ele. A magistrada também considerou a agravante de o crime ter sido praticado contra descendente.

“A agravante sanciona a violação do dever de assistência, proteção e apoio mútuo inerente à relação entre pais e filhos, revelando maior insensibilidade moral do agente”, observou.

Relembre o caso

O auxiliar administrativo Ricardo Najjar foi acusado de matar a filha, Sophia, de 4 anos, por asfixia, em dezembro de 2015.

Ela foi encontrada morta com um saco plástico na cabeça em 2 de dezembro, no apartamento do pai, na zona sul de São Paulo.

Inicialmente, havia suspeita de que a criança tivesse se sufocado acidentalmente. Laudos do Instituto Médico Legal (IML), porém, apontaram que ela foi vítima de agressões e descartaram abuso sexual.

Segundo os exames, Sophia morreu por asfixia provocada por esganadura, teve o tímpano esquerdo rompido, sofreu edema cerebral e apresentava 21 hematomas espalhados pelo corpo.

Em depoimento, Ricardo Krause afirmou que encontrou a menina caída depois de sair do banho. Segundo ele, colocou a criança sobre a cama e só então tentou retirar o saco que a sufocava. Ao perceber que havia sangramento no rosto de Sophia, teria ligado para pedir socorro.