Mirelle Pinheiro

Carbono Oculto: PF apura se metanol de operação virou veneno em bebida

A perícia da PF está analisando amostras de bebidas apreendidas em diferentes estados para determinar a origem química do metanol

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/PF
Agente da Polícia Federal (PF)
1 de 1 Agente da Polícia Federal (PF) - Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal (PF) investiga se lotes de metanol abandonados após a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto contra o crime organizado infiltrado no setor de combustíveis, foram usados por criminosos para adulterar bebidas alcoólicas vendidas em diversas regiões do país. A hipótese foi confirmada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

Segundo o ministro, durante as ações da Carbono Oculto, operação que mirou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraudes fiscais, tanques e caminhões com grandes volumes de metanol foram abandonados pelos investigados. Agora, há suspeita de que parte desse material tenha sido desviado e reutilizado de forma ilegal na produção de bebidas falsificadas.

“Muitos caminhões e tanques de metanol foram abandonados depois desta operação. Essa é uma hipótese que está sendo estudada pela Polícia Federal. Se essa for a origem do metanol que está adulterando as bebidas, então a atuação repressiva será numa direção; se for de origem agrícola, a repressão terá outros alvos”, afirmou Lewandowski.

A perícia da PF está analisando amostras de bebidas apreendidas em diferentes estados para determinar a origem química do metanol, se derivado de combustíveis fósseis ou de processos vegetais, como o álcool de cana. Essa distinção é considerada crucial para identificar o caminho do produto e o tipo de organização criminosa envolvida.

“Saber se tem origem vegetal ou de combustível fóssil é essencial, porque são teses de investigação distintas. Se for um metanol produzido por refinaria que trabalha com cana-de-açúcar, é uma hipótese. Se for de combustíveis fósseis, é outra”, explicou o ministro.

Em São Paulo, a Polícia Civil também investiga casos de intoxicação por bebidas contaminadas. Entre as linhas de apuração estão o uso do metanol para lavar garrafas e a adição da substância para aumentar o volume de álcool, reduzindo custos de produção ilegal.

Das amostras analisadas até agora, duas apresentaram concentração de metanol acima do limite permitido pela legislação.

Desde o início das ações de fiscalização, mais de 20 mil garrafas com indícios de falsificação foram apreendidas em estabelecimentos e depósitos clandestinos. Em 2025, as apreensões desse tipo já somam 66 mil unidades, com 42 prisões, sendo 21 apenas na última semana.

A Operação Carbono Oculto, que deu origem à nova linha de investigação, revelou em agosto deste ano um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro e contrabando de combustíveis, com ramificações em vários estados.

Parte das cargas apreendidas continha metanol importado ilegalmente, utilizado para adulterar gasolina e etanol.

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