Mirelle Pinheiro

Blasfêmia: falso profeta criou “Pix da Vitória” para vender “milagres”

A polícia identificou que a central chegou a empregar 42 pessoas simultaneamente, todas simulando ser o pastor em atendimentos virtuais

atualizado

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Falso profeta criou "Pix da Vitória" para enganar fiéis e vender "milagres"
1 de 1 Falso profeta criou "Pix da Vitória" para enganar fiéis e vender "milagres" - Foto: Reprodução/Facebook

Um caderno com nomes de fiéis, quadros de metas e até a expressão “Pix da Vitória” estampada em anotações internas revelam o funcionamento do esquema desarticulado nesta quarta-feira (24/9), em Niterói, durante a Operação Blasfêmia, da Polícia Civil e do Ministério Público. O líder do grupo é apontado como Luiz Henrique Santini (foto em destaque), que se apresentava como pastor e ligado à Igreja Casa dos Milagres.

De acordo com a investigação da 76ª DP, a organização criminosa mantinha um call center religioso no Centro da cidade, onde dezenas de pessoas eram contratadas por anúncios em plataformas on-line.

Os atendentes, sem qualquer vínculo com a igreja, eram treinados para se passar pelo pastor de uma instituição de São Gonçalo, usando áudios previamente gravados com promessas de milagres, curas e bênçãos.

Metas rígidas

Os policiais apreenderam quadros de acompanhamento que mostravam metas de arrecadação: pelo menos dez atendentes tinham que bater R$ 500 por dia. Cada transferência Pix feita por fiéis era registrada como um passo rumo à “vitória”. O pagamento liberava o envio de uma oração padronizada pelo WhatsApp.

Um “caderno de oração” também foi apreendido. Nele, estavam listados os nomes das pessoas que haviam transferido valores, variando de R$ 20 a R$ 1,5 mil, conforme o tipo de bênção prometida.

A polícia identificou que a central chegou a empregar 42 pessoas simultaneamente, todas simulando ser o pastor em atendimentos virtuais. Os funcionários eram remunerados por comissões proporcionais às arrecadações semanais e sofriam pressão com metas rígidas, quem não atingia o mínimo estipulado era dispensado.

Para dar vazão às quantias arrecadadas, que superaram R$ 3 milhões em dois anos, a quadrilha utilizava uma rede de contas bancárias em nome de laranjas.

Denúncias 

O inquérito começou em fevereiro, quando agentes flagraram o call center em funcionamento. Na ocasião, foram apreendidos 52 celulares, seis notebooks e 149 chips de telefonia móvel, além de provas que confirmaram o alcance nacional do golpe, com milhares de vítimas.

Nesta fase, o pastor que dava nome à operação e outros 22 integrantes foram denunciados. Ele passou a usar tornozeleira eletrônica, enquanto o bloqueio de contas e sequestro de bens busca ressarcir parte do prejuízo causado.


As investigações seguem para identificar novos envolvidos e mais vítimas.

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