
Mirelle PinheiroColunas

Ativista denuncia “cura gay” após médico ser internado à força. Veja vídeo
A manifestação ocorreu após repercussão do caso do médico de 27 anos que denunciou ter sido internado de forma involuntária por ser gay
atualizado
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A ativista e influenciadora Fabíola Lemos veio a público denunciar supostas práticas de “cura gay” em clínicas de internação no Piauí. Pelas redes sociais, nas quais reúne cerca de 16 mil seguidores, ela cobrou providências das autoridades e pediu investigação sobre possíveis violações de direitos em unidades de reabilitação no estado.
A manifestação ocorreu depois da repercussão do caso do médico de 27 anos que denunciou ter sido internado de forma involuntária em uma clínica de Teresina após revelar aos pais que é gay. Segundo o relato do profissional, ele passou cerca de 40 dias sem acesso a telefone, advogado ou contato externo.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Fabíola afirmou que o episódio não seria isolado e que outras denúncias semelhantes começaram a surgir após a divulgação do caso.
“Todos vocês ficaram sabendo do caso do jovem médico que foi internado de forma involuntária, sem nenhum procedimento, sem nenhum critério rigoroso, em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos aqui em Teresina. Pois bem, a nossa denúncia foi feita na época. Foi muito importante a mobilização tanto da imprensa quanto das redes sociais, mas hoje nós estamos aqui no Ministério Público formalizando”, declarou.
Segundo a ativista, foi protocolado requerimento no Ministério Público do Piauí pedindo investigação não apenas sobre a clínica citada pelo médico, mas também sobre outros centros terapêuticos e unidades de internação no estado.
“Nós estamos entrando com este requerimento pedindo a intervenção do Ministério Público, a apuração nesses casos, não só nesse caso, mas em todos esses casos que estão sendo denunciados em todo o estado do Piauí, em uma série de clínicas e centros terapêuticos que estão desviando sua finalidade”, afirmou.
Fabíola também citou denúncias envolvendo supostas tentativas de reversão sexual — prática popularmente chamada de “cura gay”, condenada por entidades de saúde e direitos humanos.
“São locais que, inclusive, estão aplicando aquilo que chamam de cura gay. Isso precisa ser investigado com urgência”, disse.
Além do Ministério Público, a influenciadora afirmou que o Conselho Municipal de Saúde de Teresina e a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) também foram acionados e receberam representações.
“Também já fizemos a denúncia no e-mail do Conselho Municipal de Saúde aqui em Teresina e no e-mail da Semcaspi, que é um órgão qualificado para fazer esse tipo de apuração”, explicou.
Proibição
A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças em 1990. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia proíbe profissionais da área de oferecer terapias de reversão sexual ou tratar a orientação sexual como doença. A norma já teve a constitucionalidade reconhecida pela Justiça Federal.
A coluna procurou o Ministério Público do Piauí (MP-PI), o Conselho Regional de Medicina (CRM) e os demais órgãos citados, mas não houve resposta até a última atualização deste texto. O espaço permanece aberto.
