
Mirelle PinheiroColunas

Associação que prometia proteção a mulheres é acusada de tortura
As investigações apontam que uma pessoa ligada à entidade aparece em vídeos praticando agressões físicas e psicológicas
atualizado
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A Polícia Civil da Bahia deflagrou, nesta segunda-feira (23/3), a Operação Elas por Elas, que investiga uma associação criada para acolher mulheres vítimas de violência doméstica, mas que agora é suspeita de praticar crimes contra as próprias assistidas.
As investigações apontam que uma pessoa ligada à entidade aparece em vídeos praticando agressões físicas e psicológicas contra mulheres acolhidas, entre elas, uma adolescente de 17 anos.
O caso é apurado como tortura, além de possíveis crimes de peculato, estelionato e lavagem de dinheiro.
Segundo a polícia, também foram identificados indícios de irregularidades financeiras, como possível desvio de recursos públicos e movimentações consideradas suspeitas.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a instalação de câmeras de monitoramento em ambientes privados da instituição, o que pode configurar violação grave à intimidade das vítimas.
Diante das suspeitas, a Justiça determinou o afastamento imediato da diretoria da entidade e a nomeação de um interventor judicial, que ficará responsável pela administração provisória do local.
A decisão também prevê o encaminhamento das mulheres atendidas pela associação à rede de proteção social, com acompanhamento especializado.
A operação é conduzida pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Jequié, com apoio de diversas unidades da Polícia Civil e do Departamento de Polícia Técnica.
