Mirelle Pinheiro

A engenharia da repressão: como a Draco redesenha o combate às facções no DF

Com uma estratégia baseada em inteligência e monitoramento constante, a Draco atua para desarticular estruturas de comando da facções

atualizado

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Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
Operação PCDF
1 de 1 Operação PCDF - Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) tem se destacado no combate às facções criminosas que tentam se estabelecer na capital federal. Com uma estratégia baseada em inteligência e monitoramento constante, a Draco atua para desarticular estruturas de comando e, sobretudo, sufocar financeiramente esses grupos.

A coluna reuniu alguns exemplos de destaque que ilustram a atuação da delegacia contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comboio do Cão (CDC), duas das principais ameaças à segurança pública do DF.

Segundo dados da corporação, desde 2015 foram realizadas 31 operações contra essas facções, uma média de uma a cada quatro meses. As ações da Draco contra o crime organizado, só neste ano, resultaram no bloqueio de R$ 8,3 milhões em bens e valores.

Operação Saturação (Fases II e III)
A Operação Saturação sintetiza a estratégia da Draco de atacar a hierarquia e o fluxo de comunicação do PCC, facção mais estruturada e perigosa em atuação no DF.
• Fase II (novembro de 2023): deflagrada para coibir a atuação da facção paulista na capital, resultou no cumprimento de 11 mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em várias regiões do DF.
• Fase III (agosto de 2024): considerada uma megaoperação nacional, cumpriu 90 mandados (47 de prisão temporária e 43 de busca e apreensão) em cidades do DF, Goiás e São Paulo. O objetivo era desarticular a cadeia de comando e prender líderes responsáveis pela expansão da facção.

Operação Shot Caller
Voltada à facção Comboio do Cão (CDC), de origem brasiliense, a Operação Shot Caller mirou o núcleo de liderança e os braços financeiros do grupo.
• 1ª fase (novembro de 2023): buscou prender membros que assumiram o comando após a captura da cúpula, além de operadores ligados ao tráfico de drogas e armas.
• 2ª fase (abril de 2024): concentrou-se na asfixia financeira da facção, desmantelando uma rede de lavagem de dinheiro e tráfico. Entre os presos, estava um operador capturado em um bar às margens do Lago Paranoá.

Em setembro de 2025, as investigações avançaram sobre o braço de agiotagem armada do CDC, que usava lucros do tráfico para cobrar dívidas com ameaças e retenção de veículos.

O delegado Jorge Teixeira, em entrevista à coluna ressaltou que a cúpula do CDC “está toda presa”, e as ações da Draco têm impedido que novos sucessores se consolidem.

Foco na recuperação de ativos

A ação da Draco vai além das prisões, atinge o dinheiro, o principal combustível das facções. O foco na recuperação de ativos tem rendido recordes à PCDF, com apreensão de automóveis, sequestro de imóveis, bloqueio de contas bancárias e grandes quantias em espécie.

“O objetivo principal do PCC é ficar rico, milionário, lavar dinheiro. Quando atingimos o patrimônio, cortamos a base da operação criminosa”, resume o delegado.

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