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Milena Teixeira

Rui diz que conversará com bancada do PT e Lula sobre eleição no Senado. Veja vídeo

Em entrevista à coluna, Rui Costa afirmou que conversará com Lula e a bancada do PT antes de definir apoio à reeleição de Alcolumbre

30/10/2026 17:02, atualizado 30/10/2026 17:21
Reprodução/ @ronaldocarletto Instagram
Ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT)

O senador eleito e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa afirmou, nesta sexta-feira (30/10), que pretende conversar com a bancada do PT no Senado e com o presidente Lula sobre a eleição para a presidência do Senado Federal.

Em entrevista à coluna, Costa afirmou que a decisão sobre eventual apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) deverá ser coletiva e levar em consideração a estratégia de governabilidade e a relação do governo com o Congresso Nacional. O ex-ministro ressaltou que a eleição está prevista para fevereiro e que ainda há tempo para as articulações.

“Eu faço política como coletivo, não como carreira individual. Vou conversar com a bancada. Na próxima semana estarei novamente em Brasília. Vamos conversar com os senadores e com o presidente da República e tomar uma decisão coletiva. A eleição ainda é em fevereiro, portanto temos bastante tempo para conversar. Acho que a definição não só do Senado, mas também da Câmara, passa por uma estratégia de governabilidade e por uma relação com o Congresso que garanta as medidas que a população quer”, declarou o petista.

Veja a entrevista na íntegra

Pergunta: A que o senhor atribui a vitória histórica do presidente Lula no segundo turno, com uma diferença de mais de 4 milhões de votos?

Rui Costa: Eu diria que o principal fator é um fenômeno social que ainda muitos vão estudar e analisar, mas que hoje impacta o mundo inteiro. A imagem de Lula passou a ser símbolo de liberdade, de solidariedade humana e da afirmação de que outro mundo é possível, em um mundo menos desigual, no qual o ser humano ganha centralidade nas políticas públicas.

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A principal coisa que aconteceu no segundo turno foi a sociedade, com gerações diferentes, abraçar o país e dizer em alto e bom som: nós queremos decidir o futuro deste país. Queremos um país democrático, de inclusão social, solidário, sem preconceito entre as regiões e sem racismo.

Eu diria que foi a união dos netos com os avós. São milhares de cenas lindíssimas de netos carregando, às vezes literalmente no colo, os avós para votar. Pessoas em cadeiras de rodas, tetraplégicas, indo às urnas em macas. Houve uma mobilização gigantesca da sociedade, que superou todos aqueles bloqueios e dificuldades criados por alguns gestores municipais, como a retirada de ônibus.

Pergunta: Em Salvador, houve denúncias de que a prefeitura não disponibilizou transporte público no dia da eleição. O que deve acontecer com esses gestores?

Rui Costa: Graças a Deus, o povo de Salvador expressou sua vontade. Foi a maior votação entre as capitais brasileiras: 73% da população votou no presidente Lula. Tivemos uma redução de 4% na abstenção, registrando a menor da história da cidade, de 15,7%.

A população resolveu enfrentar todas as dificuldades, com transporte solidário, pegando carona e indo a pé. Eu entendo que isso deve virar lei. Quando assumir o mandato de senador, vou apresentar um projeto de lei para dar consequências a essas atitudes, que são crimes contra a democracia.

Não é possível que gestores públicos possam, no dia da eleição, fazer algum tipo de combinação ou conluio com empresários de ônibus para influenciar no resultado eleitoral.

Acho que a lei precisa ser expressa para que isso seja considerado crime em flagrante. A Polícia Federal, ao constatar que a frota está dentro das garagens, poderia agir, inclusive com prisão imediata dos gestores municipais e dos empresários de ônibus.

O empresário de ônibus não tem direito de impedir as pessoas de votar. O gestor municipal ou estadual também não. A democracia prevê que, no dia da eleição, as pessoas possam se deslocar livremente para exercer seu direito à cidadania.

Pergunta: Como o governo Lula pretende conciliar a ampliação dos programas sociais com a responsabilidade fiscal?

Rui Costa: O presidente já exerceu seu mandato durante três mandatos e comprovou que aquilo que defende também pratica: a combinação entre investimento, atenção e cuidado social com a manutenção do compromisso fiscal.

Isso não aconteceu apenas nos governos do presidente, mas também nos estados governados pelo PT, como Bahia, Ceará e Piauí, onde combinamos índices fortes de investimento com responsabilidade fiscal e equilíbrio das contas.

Na Bahia, mantivemos a classificação de risco, mesmo com investimentos da ordem de 14% no último ano em que governei. Assim fez o presidente e assim ele fará novamente.

O foco será apostar no crescimento da economia, porque, quando a economia cresce, você diminui relativamente a dívida e o custo dela. Isso precisa estar associado a uma busca mais acelerada pela redução da taxa de juros, porque o endividamento do Brasil tem uma correlação direta com os juros que o governo paga.

Pergunta: Como o senhor avalia a articulação no Congresso por um possível indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro?

Rui Costa: Acho que nós, políticos, senadores, deputados e integrantes do Executivo, temos que olhar para o que a população disse neste segundo turno.

A sociedade brasileira foi para as ruas e demonstrou que está cansada dessa polarização, dessa pauta e dessa agenda. Para a maioria do povo brasileiro, quem tem que cuidar dos crimes cometidos pela família Bolsonaro ou por qualquer outra pessoa é a Justiça e a Polícia Federal.

Isso não pode tomar a agenda do Congresso nem a agenda do Executivo. O povo quer saber como vamos melhorar sua vida, a segurança pública, reduzir a taxa de juros e melhorar os preços.

Não acho que deve ser prioridade para nós o debate sobre quem cometeu crimes ou sobre a família Bolsonaro. O povo está cansado dessa polarização. É hora de olhar para as dificuldades da população e apontar soluções.

Pergunta: Uma possível anistia ou indulto seria um caminho para a pacificação do país?

Rui Costa: Insisto que a pacificação passa por os políticos debaterem aquilo que a população quer, colocando no centro do debate o mérito e o conteúdo das propostas, e não incentivando ou apoiando qualquer tipo de preconceito ou xingamento.

Vejo com muita tristeza empregadores ou empregados anunciando discriminações, perseguições ou demissões de pessoas por suas posições políticas. Isso é crime.

Persistir com isso é apostar em um Brasil dividido e na continuidade da polarização. A maioria da população não quer isso.

Isso não significa que não possamos discutir eventualmente uma redução de pena para aqueles que cometeram crimes de menor impacto, como uma pichação ou uma quebra de ouvido. Mas acho que deve ser um debate secundário, pontual, e não tomar a agenda política.

Pergunta: O senhor vai apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre à presidência do Senado?

Rui Costa: Eu faço política como coletivo, não como carreira individual. Vou conversar com a bancada. Na próxima semana estarei novamente em Brasília. Vamos conversar com os senadores e com o presidente da República e tomar uma decisão coletiva.

A eleição ainda é em fevereiro, portanto temos bastante tempo para conversar. Acho que a definição não só do Senado, mas também da Câmara, passa por uma estratégia de governabilidade e por uma relação com o Congresso que garanta as medidas que a população quer.

Pergunta: O senhor voltaria a ocupar a chefia da Casa Civil ou prefere permanecer no Senado?

Rui Costa: Entendo que nenhum de nós deve criar qualquer constrangimento ao presidente da República. Quando as pessoas que estão mais próximas do presidente dão declarações sobre a composição do governo, acabam criando constrangimento para a definição dele.

Ao longo da semana, dei várias entrevistas e todas as vezes em que essa pergunta apareceu dei a mesma resposta: não faço declarações sobre composição de governo porque entendo que o presidente deve estar absolutamente livre para montar sua equipe.

Ele ganhou uma eleição, é seu último mandato e é um líder que hoje o mundo inteiro festeja. Nenhum de nós tem o direito de criar qualquer tipo de constrangimento à escolha da equipe que ele montará.

Pergunta: Os indicadores financeiros pioraram nos últimos dias. Economistas apontam falta de clareza sobre o que o governo fará com as contas públicas. Quando isso ficará mais claro?

Rui Costa: Acho que o Brasil precisa discutir e que o setor financeiro, aqueles que fazem formação de preços e de expectativas, também precisa pensar no país.

Tem muito de especulação e de busca por ganhos extraordinários. Todos precisam ter compreensão de que o Brasil precisa unir os diversos setores econômicos, do financeiro ao agronegócio e à indústria.

O presidente Lula já deu muitas demonstrações de sua responsabilidade fiscal e de seu compromisso social com a população. Ele sempre defendeu e praticou esse equilíbrio: um olho na economia e na responsabilidade com as contas públicas e outro olhar cuidadoso para cuidar das pessoas.

O Brasil precisa apostar no crescimento e no investimento. Chegamos a 17% de investimento, um número que se aproxima do registrado em 2010, mas acho que o país merece mais. Precisamos pensar em 20% ou 21%.

Para isso, precisamos reduzir a taxa de juros e aprofundar as relações com outros países, atraindo investimentos da Ásia, da China, da Índia, da Coreia e também da Europa.

Pergunta: A PEC da Segurança Pública não foi votada por falta de acordo sobre a redução da maioridade penal. O senhor acredita que a proposta avança? Qual sua opinião sobre a redução da maioridade?

Rui Costa: Eu acho que avança, sim, e tenho a expectativa de que seja votada ainda este ano, para que o presidente já possa iniciar o ano de 2027 com o Ministério criado e já com as ações que esse ministério fará.

Acho que houve uma intempestividade quando colocaram esse tema da maioridade penal em debate na PEC, porque isso não está na proposta. Acho que a melhor solução é como a Câmara fez: vota a PEC, possibilita que o presidente crie o Ministério da Segurança Pública, que é uma urgência e o que o povo quer. Paralelamente a isso, cria uma comissão e promove um debate sobre a questão da maioridade.

Sou, sim, favorável a rediscutir para alguns tipos de crimes. Se nós defendemos que quem tem 16 anos ou mais tem direito ao voto e se muitos concordam que quem tem mais de 16 anos pode dirigir carro, ele também tem que ser responsável por crimes, principalmente crimes hediondos e assassinatos que eventualmente venha a cometer.

Acho que precisamos adotar no Brasil duas políticas fortes. De um lado, dar todas as condições aos jovens. Na Bahia, fizemos mais de 700 escolas em tempo integral, com piscina, teatro, campo de futebol, laboratório e cozinha industrial.

Também temos programas de assistência, como o Pé-de-Meia, para o ensino médio, e o Mais Futuro, criado no meu governo na Bahia, que oferece uma bolsa de R$ 600 a jovens de baixa renda que estão na universidade.

Agora, um jovem de 16 ou 17 anos que comete um crime hediondo, que assassina uma pessoa ou, às vezes, duas ou três, tem, na minha opinião, que responder por isso.

Acho que mais de 90% dos países do mundo já têm essa regra funcionando para maiores de 16 anos. O Brasil também precisa ter essa regra, porque o crime organizado utiliza jovens de 16 e 17 anos para cometer atrocidades.

O presidente vai fazer parcerias com estados e municípios. Já anunciou, por exemplo, a transformação de mais de 100 presídios no Brasil em unidades de segurança máxima. Com isso, pretende acabar com essa história de o bandido comandar o crime de dentro da cadeia.

Defendo também uma revisão da lei criminal no Brasil, que é da década de 1940. Precisamos acabar com essa sensação de que a polícia prende e a Justiça solta, que provoca profunda indignação na sociedade.

Às vezes, um assassino de uma criança, de uma mulher ou de um idoso é julgado e condenado a 20 ou 30 anos de prisão. A sociedade acredita que foi feita justiça, mas se surpreende quando, dois, três ou quatro anos depois, aquela pessoa está em liberdade.

Sou adepto da tese de que quanto maior a impunidade, maior a criminalidade. As duas caminham juntas. O Brasil precisa enfrentar a impunidade.

Defendo também uma reforma do Judiciário. Não pode um crime de homicídio levar 10, 15 ou 20 anos para ser julgado. Muitas pessoas presas esperam cinco, seis, sete ou oito anos por um julgamento que nunca acontece.O funcionamento do Judiciário precisa ser mais efetivo, e as mudanças precisam ser debatidas com a sociedade.

Rui diz que conversará com bancada do PT e Lula sobre eleição no Senado