
Por que Lula vai frear ataques a Mendonça e Flávio terá cautela com Andrei
Campanha de Flávio pretende tratar o caso com cautela; no entorno de Lula, o temor é que o presidente seja associado a Moraes

O presidente Lula recebeu orientação de aliados para evitar ataques ou críticas públicas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, enquanto se intensifica a crise envolvendo a Corte e a Polícia Federal.
A avaliação dentro do núcleo político do presidente é que Lula deve manter distância do embate e evitar que o episódio contamine a campanha eleitoral.
A preocupação é que manifestação mais contundente contra Mendonça acabe colocando o presidente ao lado de um dos grupos em disputa no Supremo, especialmente em eventual associação com o ministro Alexandre de Moraes.
O conflito ganhou força na terça-feira (8/9), após Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão aumentou a tensão entre integrantes do Supremo, o comando da PF e o governo federal.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA estratégia traçada para Lula é deixar que o caso seja tratado predominantemente pela via institucional e jurídica, evitando que o presidente assuma pessoalmente o protagonismo na disputa.
A condução da reação do governo ficará principalmente a cargo da Advocacia-Geral da União (AGU), comandada por Jorge Messias, alvo de críticas de integrantes do governo, como mostrou a coluna.
A AGU já apresentou recurso contra a decisão de Mendonça e tenta reverter o afastamento de Andrei Rodrigues. No governo também chegou a ser discutida a possibilidade de recorrer ao Conselho da República, como alternativa dentro da esfera institucional.
A cautela, porém, não está restrita ao Palácio do Planalto. A campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também tem evitado explorar politicamente o episódio envolvendo Andrei Rodrigues.
Embora a crise possa, em tese, ser utilizada para atingir o governo Lula ou questionar a atuação da Polícia Federal, a campanha do senador avalia com cautela os efeitos de transformar o caso em um dos principais temas da disputa eleitoral.
A leitura nos dois campos é que a disputa interna no STF envolve diferentes atores e pode produzir consequências políticas imprevisíveis.








