Candidatas do PT no RJ resistem a declarar apoio público a Pedro Paulo
Primeira-dama Janja já se opôs à indicação do deputado federal para ministério; Paes entra em campo para destravar impasse

Candidato ao governo do Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) enfrenta dificuldades para acomodar sua chapa ao Senado Federal.
A coluna apurou que mulheres candidatas do PT e de partidos da base do presidente Lula resistem a declarar apoio público ao deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ).
Nos bastidores, o principal motivo apontado é a repercussão de uma acusação de violência doméstica envolvendo o parlamentar, que posteriormente foi arquivada.
Reservadamente, candidatas afirmam que dividir o mesmo palanque pode gerar desgaste político e abrir espaço para críticas e ataques de adversários durante a campanha.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesComo mostrou a coluna, Paes entrou em campo para tentar destravar a crise. O prefeito se reúne neste domingo com parlamentares do PT para alinhar a composição da chapa majoritária, que prevê duas vagas ao Senado: a da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) e a de Pedro Paulo.
Apadrinhado por Paes, Pedro Paulo teve sua pré-candidatura ao Senado anunciada em junho pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
A resistência ao nome do deputado não é nova. Em dezembro de 2022, sua indicação ao Ministério do Turismo foi alvo de forte oposição interna da legenda. A primeira-dama Janja Lula da Silva esteve entre as vozes mais críticas à nomeação.
O que diz o deputado
À coluna, o deputado afirmou que a reportagem faz referência a uma acusação de 2010 que, segundo ele, foi amplamente investigada pelo Supremo Tribunal Federal, com participação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.
Ele ressalta que, ao final da apuração, a PGR concluiu que não havia crime a ser denunciado e solicitou o arquivamento do caso, acolhido pelo STF em 2016.
Veja a nota íntegra
Sua coluna de sexta afirma, em texto próprio, sem aspas e sem atribuição, que existiria um “histórico de violência doméstica” meu. A frase é falsa — e os autos públicos a desmentem.
O que houve foi uma acusação, em 2010, há 16 anos. Ela foi investigada a fundo no Supremo (Inquérito 4199): perícias, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República. E o desfecho está escrito nos autos: quem me acusou foi quem pediu o fim do caso. A PGR analisou todas as provas, concluiu que não havia crime nenhum a denunciar e pediu o arquivamento. O STF arquivou, em 2016. Não virei réu, não houve processo, não houve crime. Fui investigado e inocentado — pela acusação, não pela minha defesa.
Ou seja: não é um tema em aberto. É um caso encerrado há uma década pelo único árbitro legítimo que existe. Tratá-lo como “histórico”, como fato vivo, é me impor pela difamação uma pena perpétua — que a Constituição não permite nem para condenados, quanto mais para quem o Estado declarou inocente. Histórico é conduta repetida; uma acusação de 16 anos atrás, encerrada a pedido de quem acusou, é o oposto disso.
E vamos ser francos: estamos em ano eleitoral. Adversários vão querer construir narrativa sobre esse caso encerrado — é do jogo, e sei enfrentar. O que não pode acontecer é a narrativa deles ganhar o carimbo de fato numa coluna profissional. É exatamente essa a diferença entre política e jornalismo: narrativa não precisa de prova; notícia precisa. E a prova, nesse caso, está toda nos autos — do lado oposto ao que foi publicado.
Sobre as companheiras de política que, segundo sua reportagem, falaram reservadamente: respeito o incômodo delas, e não o trato como exagero. Num país onde o feminicídio mata mais de 1.400 mulheres por ano, a desconfiança é legítima — confiança não se pede, se demonstra. Elas têm até o direito de não quererem enfrentar a narrativa. Mas elas têm o direito de formar juízo sobre fatos, não sobre uma informação falsa. Levar uma acusação a sério é investigá-la de verdade — foi o que o Estado fez comigo. Justiça séria funciona nas duas direções: protege quem denuncia e inocenta quem é inocente.











