
Milena TeixeiraColunas

A reunião fora da agenda de Lula com empresários sobre ferrovia bilionária
Reunião com representantes de gigante chinesa acontece enquanto Brasil se aproxima dos EUA, concorrente da China no cenário global
atualizado
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O presidente Lula realizou uma reunião fora da agenda com empresários ligados a estatais chinesas e aliados políticos da Bahia na segunda-feira (26/1), no Palácio do Planalto.
Segundo apurou a coluna, o encontro teve como foco as tratativas das obras bilionárias da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) no estado.
A negociação com os chineses ocorre no momento em que o Brasil volta a se aproximar dos Estados Unidos, principal competidor da China no cenário global.
Concebida para formar um grande corredor de exportação, a Fiol pretende conectar a produção do interior brasileiro a diferentes portos e é um dos principais projetos de infraestrutura do Novo PAC.
O projeto tem despertado interesse de empresas nacionais e estrangeiras. Em março de 2025, a estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC) manifestou interesse na obra.
Participaram da reunião o ministro da Casa Civil, Rui Costa; o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA); o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues; e Afonso Florence, chefe da Casa Civil do governo baiano.
Também esteve presente Manuel Antonio, vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo Mota-Engil, multinacional portuguesa de engenharia e gestão de infraestruturas, cuja principal acionista é a CCCC, com 32,4% do capital.
O encontro só veio a público nesta quinta-feira (29/1), após publicação de Jerônimo Rodrigues nas redes sociais. Na postagem, o governador afirmou que a reunião teve como objetivo “atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer o desenvolvimento da Bahia, com diálogo e parceria”.
“TBT de uma reunião importante que tive, na segunda-feira, ao lado do presidente Lula, em diálogo com o vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo Mota-Engil, Manuel Antonio. Seguimos trabalhando para atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer o desenvolvimento da Bahia com diálogo e parceria”, escreveu o petista.
A coluna procurou o Palácio do Planalto, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Por que a Fiol importa tanto?
Dividida em trechos, a ferrovia já consumiu investimentos de dezenas de bilhões de reais ao longo de mais de uma década.
O trecho 1, que liga Caetité a Ilhéus, na Bahia, teve as obras suspensas pela Bamin, empresa responsável pelo projeto, em março de 2025, quando cerca de 75% da execução já havia sido concluída.
Em setembro do mesmo ano, sem resolver a situação da Fiol 1, o governo publicou o edital para a construção de um novo segmento da ferrovia, a Fiol II, com extensão de 35,75 km.








