Virada em Minas expõe o venerado Nikolas e o desprezado Janones
Enquanto Nikolas apostou na velha fórmula do vídeo viral, Janones montou um exército no WhatsApp e revolucionou a campanha da esquerda
26/10/2026 11:05

Minas Gerais repetiu a regra de que quem vence no estado leva o Planalto. Mas a virada de 2026 diz menos sobre Lula e Flávio do que sobre dois mineiros que nem estavam na urna presidencial: Nikolas Ferreira e André Janones.
No 1º turno, Flávio venceu em Minas por 48,24% a 43,33%. Três semanas depois, Lula ganhou com 50,43%. Nesse intervalo, o petista somou 1,16 milhão de votos novos, e Flávio só 464 mil. Isso aconteceu com Cleitinho eleito governador no 1º turno, com 55% dos votos, e com Zema e Nikolas no palanque bolsonarista.
Os dois personagens chegaram à reta final em situações opostas. Nikolas era o fenômeno: 25,6 milhões de seguidores no Instagram e o título de político mais influente da rede. Janones era tratado com desconfiança até no próprio campo. Petistas descreviam sua presença como um “preço a pagar”, e ele próprio atacava a campanha “fofa” e os “arrogantes de salto alto” da esquerda.
O venerado apostou na fórmula que o consagrou: ele no centro, o pano preto, o vídeo viral. “O Nordeste que foi esquecido” passou de 160 milhões de visualizações. Mas os bastidores vazaram, com teleprompter, enquadramentos dirigidos e a antena parabólica tirada da cena. O alcance virou munição para o adversário, e a própria campanha de Flávio passou a apontar Nikolas como parte da derrota em Minas e no Nordeste.
O desprezado fez o contrário. Tirou a si mesmo do centro e montou um canal de distribuição. O Exército do Lula saiu de quase 2 milhões de seguidores no início de outubro para cerca de 10,8 milhões. Não era plateia, era tropa: “missões” diárias de postagem, convites a novos contatos e vídeos simples, “mais calçada e menos helicóptero”. Nikolas falava para os seus. Janones pôs milhões de pessoas para falar com os delas. Após a vitória, Lula o chamou de “general”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesUm tentou repetir a velha fórmula do influenciador. O outro mudou o jeito de a esquerda fazer campanha digital.

