Quem leva a faixa presidencial? Datafolha e Atlas dão Lula; Quaest, Flávio
Três institutos apontam empate técnico no 2º turno, mas divergem sobre quem vence. Onde e como o eleitor foi ouvido ajudam a explicar
04/10/2026 15:30

Mesma eleição, mesmos dois candidatos e três retratos diferentes de quem sobe a rampa.
Na véspera do primeiro turno, o Datafolha dá a vitória a Lula (PT) no segundo turno, com 47% contra 46% de Flávio Bolsonaro (PL). A AtlasIntel também aponta Lula, por um fio: 47,6% a 47,4%. Na Quaest, o pódio se inverte, com Flávio em 44% e Lula em 42%. Nas três, a diferença cabe na margem de erro, o que configura empate técnico.
A primeira explicação está em onde o eleitor é encontrado. A Quaest bate na porta de casa e ouviu 3.702 pessoas na sexta (2/10) e no sábado (3/10). Esbarra em condomínios com portaria, áreas dominadas pelo crime e em quem não está em casa. O Datafolha ouviu 4.006 pessoas na rua, só no sábado, o que favorece quem circula mais e deixa de fora idosos e moradores de regiões afastadas. A AtlasIntel recruta 4.945 eleitores pela internet, entre 27 de setembro e 2 de outubro, e alcança com mais dificuldade quem vive desconectado. Todos corrigem essas distorções com pesos estatísticos, cada um à sua maneira.
A diferença mais intrigante está em quem não escolhe ninguém. No Brasil, o voto é obrigatório, mas a Quaest inclui em seus resultados quem diz que não vai votar. Somados a brancos e nulos, eles chegam a 13%. No Datafolha, esse grupo soma 6%, e na AtlasIntel, 5%. A Quaest não deixa claro se a opção de não votar foi oferecida na pergunta ou surgiu espontaneamente. Esse grupo mexe no placar: Lula tem 5 pontos a menos na Quaest do que no Datafolha, e Flávio, só 2.
Na conta da urna, que considera só os votos válidos no 2º turno, a AtlasIntel dá 50,1% a Lula e 49,9% a Flávio. Pela mesma conversão, o Datafolha daria cerca de 51% a 49% para Lula, e a Quaest, o mesmo placar para Flávio. Juntos, os três resultados desenham uma moeda girando no ar.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA metodologia dos três institutos será testada nas urnas neste domingo (4). Os cientistas políticas acham dificílimo. Mas, se por acaso, a abstenção for baixa… tudo pode acontecer se resolver ainda hoje.




