Quem ganhou e quem perdeu com o debate da Globo que não aconteceu?
Lula reduziu riscos, Flávio encontrou um álibi e Renan ganhou exposição. O eleitor perdeu a chance de comparar propostas antes de votar

Analistas e estrategistas de campanha passaram esta sexta-feira (02/10) fazendo as contas de quem ganhou com o debate da Globo que não aconteceu. Há uma leitura possível: os maiores beneficiados foram justamente os que decidiram não subir ao palco. Cada um por um motivo.
Lula já havia anunciado que não iria. Corria o risco de virar o alvo da noite, representado por um púlpito vazio, recebendo perguntas e ataques sem estar ali para responder. A decisão do TSE que proibiu esse formato e, depois, o cancelamento do encontro reduziram sua exposição.
Enquanto isso, Lula ficou no Flow executando a estratégia que, como adiantou a coluna, sua equipe havia preparado: falar de futuro, aproximar as propostas da vida cotidiana e puxar a comparação entre seu governo e o de Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira (02/10), inúmeros cortes da entrevista circulam nas redes sociais. A participação continuou rendendo material de campanha no dia seguinte.
Flávio Bolsonaro conseguiu algo mais. Escapou do confronto com os adversários e da cobrança sobre propostas que pouco explicou numa campanha dominada por outras questões. Seria sua primeira participação em um debate nesta eleição. A desistência preservou o candidato de perguntas que ele não poderia escolher.
Ainda transformou a saída em ofensiva. Apresentou como “censura” o que, na prática, lhe serviu de álibi para fugir do debate. Na live que fez em seguida, voltou a atacar o STF e pediu votos para aliados que disputam o Senado, a Casa que pode abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo. Saiu do terreno das propostas e voltou ao alvo preferido da família Bolsonaro, a mais alta Corte do país.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesRenan Santos ganhou por outro caminho. Queria participar e estava inicialmente excluído. Conseguiu uma decisão histórica de Gilmar Mendes para entrar no debate e virou personagem central da crise. Mesmo sem o encontro, ganhou exposição. Seus apoiadores fizeram barulho diante da sede da Globo no Jardim Botânico, onde ele discursou num carro de som. A mobilização ocorreu longe dos estúdios em que o debate seria realizado, mas chamou a atenção.
Na lista dos perdedores estão os candidatos que contavam com aquela noite para tentar furar a polarização. Caiado e Zema perderam uma vitrine para apresentar propostas e disputar a atenção concentrada em Lula e Flávio. O cancelamento favoreceu a manutenção do cenário que os dois queriam romper.
Perderam também a democracia, a transparência e o eleitor. A última oportunidade de comparar os presidenciáveis antes do primeiro turno terminou sem perguntas, respostas ou confronto de projetos. Para alguns candidatos, o não debate foi um bom negócio. Para quem precisa decidir o voto, foi uma perda.




