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Matheus Leitão

Por que a queda da rejeição de Lula muda a leitura da eleição

Cientistas políticos ouvidos pela coluna veem melhora para o presidente, mas alertam que índices não determinam resultado de disputa aperta

21/10/2026 13:25
Renato Pizzutto/Band
Por que a queda da rejeição de Lula muda a leitura da eleição

A queda da rejeição de Lula e a melhora da avaliação de seu governo tornam a reta final da eleição mais favorável ao presidente, embora esses movimentos ainda não tenham se convertido em crescimento nas intenções de voto. Essa é a avaliação de cientistas políticos ouvidos pela coluna sobre a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21/10).

Em um mês, a rejeição de Lula caiu oito pontos percentuais: passou de 55%, em 21 de setembro, para 47% agora. Nesse intervalo, marcou 54% em 28 de setembro e 53% na rodada anterior. A rejeição de Flávio Bolsonaro também recuou, mas em ritmo menor: de 56% para 52% no período, passando por 54%.

A diferença importa porque Lula conseguiu ficar abaixo da metade do eleitorado nesse indicador, enquanto o senador permanece rejeitado pela maioria. Na comparação com a pesquisa anterior, o presidente caiu seis pontos, e Flávio, dois.

Os especialistas ponderam que a ideia, frequentemente repetida, de que um candidato com mais de 50% de rejeição não consegue se eleger precisa ser examinada à luz desta disputa. Com os dois nomes enfrentando resistência elevada, o patamar representa um obstáculo importante, mas não permite decretar uma derrota.

O mesmo cuidado vale para a avaliação do governo. Uma aprovação baixa dificulta a reeleição, mas não a inviabiliza automaticamente. O resultado depende também de quem é a alternativa e de como o eleitor a enxerga.

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É nesse ponto que os cientistas políticos identificam um movimento favorável a Lula. A melhora da avaliação do presidente, que não ganhou força suficiente para alterar o quadro do primeiro turno, passou a pesar na disputa final. Na pesquisa de 7 de setembro, o governo tinha 43% de aprovação e 50% de desaprovação. Agora, são 46% e 47%, respectivamente: um empate técnico.

Outras perguntas reforçam essa leitura. Na comparação entre gestões, 45% consideram o governo Lula melhor que o de Jair Bolsonaro, enquanto 40% avaliam o contrário. O presidente já aparece numericamente à frente nesse indicador.

Para os especialistas ouvidos, o caráter plebiscitário do segundo turno ajuda a explicar a importância dessas mudanças. Com apenas dois candidatos, a decisão passa por manter o presidente ou entregar o poder ao adversário. Se a avaliação de quem governa melhora, pode diminuir a disposição do eleitor de substituí-lo.

Isso não significa que a rejeição de Flávio esteja subindo: ela também caiu. O que ocorre é que Lula melhora mais rapidamente e reduz a vantagem relativa do opositor nesse terreno.

A avaliação dos cientistas políticos é que o eleitor não precisa estar entusiasmado com Lula para escolhê-lo. O receio de uma Presidência de Flávio e a lembrança negativa do governo de seu pai podem compensar parte do desgaste do petista. A popularidade ainda fraca do presidente e a resistência à alternativa ajudam a explicar o equilíbrio.

Na intenção de voto, esse quadro aparece nos 45% de Flávio e nos 44% de Lula. O senador oscilou um ponto para baixo desde a rodada anterior, enquanto o presidente permaneceu no mesmo patamar. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

A leitura, portanto, é de uma eleição muito apertada, com evolução mais favorável a Lula nas avaliações. A queda da rejeição abre espaço para o presidente, mas ele ainda precisa transformar essa melhora em voto.